Haddad diz que reformas criam ambiente para crescimento do PIB potencial do País
Segundo ministro, expectativa é que Congresso vote nesta semana definições da proposta de reforma do Imposto de Renda e fase final da reforma sobre o consumo
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira, 29, que reformas recentes aprovadas pelo governo estão criando um ambiente que fará com que o Produto Interno Bruto (PIB) potencial do País cresça.
Segundo Haddad, a opção da atual administração foi a de fazer um ajuste fiscal que, apesar de gradual, é consistente. O ministro destacou, por exemplo, que nos últimos três anos houve um grande esforço de recuperação da base fiscal do governo e que isso implicou em enfrentar interesses "particularistas".
"É muito desgastante, você sabe que enfrentar interesses particularistas no Brasil é muito mais difícil do que enfrentar interesses gerais", disse Haddad ao participar de um painel do evento do Itaú BBA, em São Paulo, mediado pelo economista-chefe do banco, Mario Mesquita.
Haddad mencionou que, atualmente, há um equilíbrio maior entre receitas e despesas no orçamento federal. "Nós atingimos um equilíbrio fiscal com a receita líquida girando em torno de 19% do PIB. E eu recebi o orçamento com 17% do PIB", lembrou ele, destacando que isso aconteceu após "limar" alguns gastos tributários.
"Nós preferimos o caminho mais difícil de buscar justiça tributária. De fazer quem não paga, pagar", disse Haddad. Assim, ele considera que um próximo governo, herdará uma situação fiscal mais positiva do que sua administração recebeu. "Nós podemos crescer na média mundial, como aconteceu com os dois mandatos iniciais do presidente Lula."
Reforma de renda
O ministro disse que a expectativa é que o Congresso vote, nesta semana, as definições da proposta de reforma do Imposto de Renda e a fase final da reforma sobre o consumo.
Ele defendeu que a compensação da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil por mês a partir da criação de um imposto mínimo para rendas acima de R$ 1 milhão por ano é "razoável" e talvez "até acanhado" considerando-se as experiências internacionais.
Na avaliação do ministro, essa proposta parece promissora e foi bem recebida pelo Congresso. Haddad destacou que houve "harmonia" entre Executivo e Legislativo em torno da questão da justiça tributária e exaltou que, em três anos, foram aprovadas reformas importantes para a economia brasileira.
"Em três anos talvez não lembro de tantas coisas estruturais resolvidas pelo Congresso. Tenho um agradecimento pelo entendimento", reforçou o ministro.