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Grupo Parlatório, com quase 400 líderes, divulga carta de compromisso a ser entregue a Flávio e Lula

Com colaboração de empresários, executivos e profissionais que atuaram em diferentes governos, documento apartidário traz propostas práticas, segundo o coordenador Roberto Gianetti

13 out 2026 - 17h07
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Resumo
O Grupo Parlatório, composto por cerca de 380 empresários e ex-autoridades, elaborou uma carta apartidária com propostas para o próximo governo, a ser entregue a Lula e Flávio Bolsonaro. Coordenado por Roberto Gianetti da Fonseca e elaborado por 30 especialistas, o documento possui 39 páginas e 14 pilares, priorizando democracia, responsabilidade fiscal e reformas essenciais. O objetivo é guiar a próxima gestão e cobrar ações práticas a partir de consensos da sociedade civil.

Assim que as urnas do primeiro turno das eleições 2026 foram fechadas, no domingo, 4, um grupo de cerca de 380 empresários, executivos e ex-autoridades começou a debater a surpresa do resultado e, ao mesmo tempo, como poderiam contribuir de maneira pragmática para o cenário que estava se desenhando. "Nesse ambiente tão polarizado que vivemos, resolvemos fazer um trabalho apartidário, coletivo e que trouxesse convergência, consistência e governança para o próximo governo, seja lá qual for", afirma o economista e empresário Roberto Gianetti da Fonseca.

Nasceu assim a Carta Compromisso do Grupo Parlatório, que será entregue a Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos próximos dias, com essas aspirações da sociedade civil. Com 39 páginas, o documento foi dividido em 14 pilares temáticos, sendo que cada um deles foi organizado por membros do grupo que são especialistas nesses assuntos. A coordenação técnica ficou a cargo de Gianetti.

A coordenação técnica da elaboração do documento ficou a cargo de Giannetti
A coordenação técnica da elaboração do documento ficou a cargo de Giannetti
Foto: Gabriela Biló/Estadão / Estadão

Assim, o embaixador Rubens Barbosa deu sua contribuição ao capítulo sobre Relações Internacionais; o general Rego Barros e o Almirante Ilques escreveram sobre Soberania e Defesa; Viviane Senna se debruçou sobre as propostas para educação; o ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates e a ex-secretária do Planejamento Patrícia Audi se dedicaram ao capítulo de energia; a especialista em segurança pública Ilona Szabó escreveu sobre esse tema e o Combate ao Crime Organizado; o presidente da Febraban, Isaac Sidney, se dedicou ao capítulo sobre o Setor Financeiro; o empresário Roberto Klabin, ao Meio Ambiente e Recursos Hídricos; e assim por diante.

No total, 30 pessoas representativas em suas áreas de atuação colaboraram para o documento. Sua versão final foi terminada na noite de segunda, 12.

Segundo Gianetti, não há a pretensão de que os candidatos assinem o documento com o compromisso de implantação de todos os pontos, por conta do prazo exíguo até o segundo turno. Porém, se o trabalho servir de fonte de análise e implementação de ideias - já que a maioria delas é consenso - para o próximo governo, será um bom início. "Os candidatos poderão entender o que a sociedade civil deseja, num plano que contou com a contribuição de alguns dos melhores profissionais de suas áreas", diz ele.

Para ele, o documento também mostra que o próximo presidente eleito não terá um cheque em branco da sociedade. "Tendo (o candidato) assinado o compromisso ou não, vamos continuar cobrando porque o Brasil não pode mais perder tempo", afirma. "Há um compromisso moral com o desenvolvimento do País e vamos perseguir esses objetivos."

Texto começa pelo respeito a regras democráticas

O documento começa com o pilar da Democracia, Constituição e Instituições, que prega respeito a regras democráticas, preservação das instituições e Forças Armadas, segurança jurídica e combate à corrupção e reformas, como a do Judiciário e Política. Também aborda Economia, Responsabilidade Fiscal e Reforma Tributária; Produção, Emprego, Produtividade; Educação e Formação Técnica Profissional; Saúde Pública, Vacinação e Ciência; Relações Internacionais; Defesa e Soberania Nacional; Desenvolvimento Social e Redução das Desigualdades; Meio Ambiente e Recursos Hídricos; Energia e Transição Energética; Cultura, Esporte, Turismo, e Economia Criativa; Cidades e Infraestrutura; Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e Reforma do Estado, Desburocratização dos Serviços Públicos.

Há ações a serem iniciadas já no primeiro mês de governo, como reformas do Judiciário e política, fortalecimento do programa nacional de imunizações e negociações com os EUA. Também para os primeiros cem dias de governo (agenda nacional de produtividade) e metas para o primeiro ano da nova gestão.

Criado no meio da pandemia, o Grupo Parlatório é um pouco mais plural do que outras organizações do tipo. Além de estar presente em diferentes estados, conta com empresários e executivos, além de profissionais que fizeram parte de diferentes governos. O próprio Gianetti foi secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex) na gestão Fernando Henrique Cardoso.

Alguns membros do Parlatório são cotados em ministérios de um eventual governo Flávio, como o ex-presidente do Einstein Cláudio Lottenberg, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o candidato à Presidência do PSD, Ronaldo Caiado.

Leia abaixo a carta na íntegra:

Estadão
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