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Galípolo: 'O BC não pode se emocionar' com deflação pontual; juro deve seguir alto por prazo longo

A convergência da inflação à meta está em curso, diz o chefe do BC, mas o ritmo é lento e, por isso, a autoridade monetária mantém em campo restritivo a Selic, taxa básica da economia

27 ago 2025 - 15h32
(atualizado às 17h16)
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SÃO PAULO E BRASÍLIA - Ao reafirmar o compromisso do Banco Central com a meta de inflação de 3%, o presidente da autarquia, Gabriel Galipolo, disse nesta quarta-feira, 27, que, de vez em quando, é questionado sobre a insistência pelo centro da meta, embora ela preveja margem de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo, a fim de acomodar eventuais choques.

Sem mencionar explicitamente o IPCA-15 de agosto, que apresentou deflação e deu fôlego ao debate sobre corte de juros no fim deste ano, Galípolo disse que o Comitê de Política Monetária (Copom) não pode se deixar levar por um ou outro dado pontual na hora de tomar suas decisões.

"O BC não pode se emocionar. A velocidade e a função de reação do BC precisa ser diferente da do mercado", disse o banqueiro central, ao participar da abertura do 33º Congresso e Expo Fenabrave, da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), com o tema "Conectando o Presente e o Futuro", em São Paulo.

Durante toda a sua fala, o presidente do BC foi enfático ao afirmar que a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, permanecerá em campo restritivo por prazo prolongado.

Segundo Galípolo, se a autoridade monetária considerar a margem de manobra da meta de inflação e, eventualmente, aceitar o teto de 4,5%, por exemplo, transmitirá a mensagem de que não persegue o centro da meta. O risco, alerta ele, é que os agentes de mercado passem a incorporar essa margem em seus preços, o que resultará em mais inflação.

Ele afirmou que a convergência da inflação à meta está em curso, mas ocorre de forma lenta e, justamente por isso, a autoridade monetária decidiu manter a taxa de juros em campo restritivo.

"A gente vem reforçando que essa taxa de juros deve permanecer por um período prolongado nesse patamar restritivo, justamente porque a gente está num cenário de ter descumprido a meta", disse. A Selic está hoje em 15% ao ano.

Galípolo abordou os desafios para a queda no juro
Galípolo abordou os desafios para a queda no juro
Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil / Estadão

Momentos antes, o chefe do BC relembrou a evolução dos juros desde 2023 até hoje. Galípolo ressaltou que, após um ciclo de cortes e de altas, a taxa básica de juros, a Selic, estacionou em nível restritivo, tanto na série histórica do BC quanto em relação aos pares do Brasil.

As expectativas de mercado e as projeções do BC, segundo ele, ainda mostram que a convergência para a meta ocorre de forma lenta. "É isso que tem demandado uma política monetária mais restritiva", justificou.

Como o PIB cresce apesar do juro pesado?

Galípolo avaliou que a economia brasileira é resiliente, mas dá sinais de transmissão da política monetária por meio do crédito.

Ao entrar no tema, Galípolo voltou a falar que encontra dificuldade em explicar no exterior como, mesmo com juro alto, o Brasil continua a registrar um crescimento forte de seu Produto Interno Bruto (PIB).

Ele salientou também que as revisões para o PIB doméstico foram refeitas várias vezes ao longo dos últimos quatro anos, com as sucessivas surpresas para cima. Essa discussão, repetiu, levantou alguns questionamentos sobre a potência de política monetária.

"Será que os canais de política monetária estão desimpedidos e funcionando de maneira como deveriam funcionar?", questionou, salientando que há três décadas o Brasil vive com taxas de juros bastante elevadas, quando comparado com seus pares.

Para o presidente do BC, o que foi visto nos últimos anos foi uma mudança na potência da política fiscal no estímulo da economia. Seria por causa da política fiscal, conforme Galípolo, que a economia acabou respondendo com mais crescimento do que se imaginava.

Ele também falou que, ao produzir uma política tributária que é mais progressiva, e ter programas que também são mais progressivos do ponto de vista da distribuição de renda, aumenta-se a propensão a consumir e isso aumenta o dinamismo da economia. E cabe ao Banco Central, segundo ele, tentar interpretar e entender o que está acontecendo de maneira objetiva.

"O que parece ter acontecido é que a renda tem se mostrado bastante resiliente. Estamos com o nível de desemprego mais baixo da série histórica, batendo 5,8%, dessazonalizado 5,7%, é o menor nível de desemprego da série histórica, e estamos com o nível mais alto de renda do trabalhador… Então, mesmo com uma taxa de juros restritiva, a gente vê uma demanda mais forte", considerou.

Estadão
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