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França não precisa da ajuda do BCE no momento, diz presidente do banco central

7 out 2026 - 08h35
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Resumo
Apesar do aumento nos custos de financiamento e do elevado déficit público na França, o presidente do Banco da França, Emmanuel Moulin, descartou a necessidade de intervenção do Banco Central Europeu no momento. A disparada nas taxas decorre da incerteza política na aprovação do orçamento, alvo de disputas com a oposição. Moulin rejeitou a proposta da extrema direita de recorrer ao BCE, destacando que a missão do órgão é controlar a inflação e que o país deve resolver sua crise internamente.

A situação econômica da França ‌é grave, tendo em vista o aumento dos custos de financiamento, mas o país não precisa neste momento da ajuda do Banco Central Europeu, afirmou nesta quarta-feira o presidente do Banco da França, Emmanuel Moulin.

Os custos de financiamento da ⁠França dispararam em meio à atual queda global nos mercados ‌de títulos, provocando uma onda de vendas do euro, já que os investidores temem que as frágeis finanças públicas ‌do país possam afetar o restante ‌da Europa.

"Essa diferença em nossas taxas de financiamento está ⁠ligada ao fato de termos um déficit maior do que o de outros países da zona do euro e de haver incerteza política em relação à votação do orçamento", disse Moulin, acrescentando que é vital que o governo consiga ‌aprovar seu orçamento no Parlamento.

Moulin acrescentou que a situação pode ‌melhorar se o governo ⁠conseguir aprovar ⁠um orçamento que reduza o déficit.

O governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, que ⁠enfrenta pressão tanto dos ‌partidos de oposição de ‌extrema direita quanto de extrema esquerda antes das eleições presidenciais no início de 2027, tem como meta reduzir o déficit orçamentário de 5,4% do PIB neste ano para ⁠5% no próximo.

O governo francês apresentou seu projeto de lei orçamentária para 2027 em 1º de outubro. Os dois antecessores de Lecornu foram derrubados devido a disputas orçamentárias, em 2024 e 2025.

"Hoje, não ‌há necessidade de buscar a solução em Frankfurt. A solução está aqui mesmo, em casa", disse Moulin à rádio France ⁠Inter. "Não acho que o Banco Central Europeu precise intervir neste momento, dadas as condições atuais."

A líder da extrema direita, Marine Le Pen, afirmou na terça-feira que deveria haver discussões com o Banco Central Europeu para que este intervenha a fim de aliviar os custos dos empréstimos franceses.

Questionado sobre a proposta dela, Moulin disse que isso não faz parte das atribuições do BCE.

"Simplesmente, a missão do BCE é combater a inflação", disse ele. "Hoje, estamos acima da nossa meta de 2%, portanto, não cabe ao BCE responder aos problemas orçamentários dos países."

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