Focus: Projeção do mercado para a inflação de 2026 recua pela quarta semana consecutiva
Previsões para a taxa de juros no final do ano, porém, se mantiveram em 14%, segundo dados divulgado pelo Banco Central
BRASÍLIA - A projeção do mercado financeiro para a inflação deste ano registrou queda pela quarta semana consecutiva. O relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, 27, apontou para um índice de 5,12% - na semana passada, essa projeção estava em 5,15%. Mesmo assim, o número ainda seria 0,62 ponto porcentual acima do teto da meta de inflação perseguida pelo BC (4,5%).
Por outro lado, a estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 aumentou de 4,20% para 4,22%. Um mês antes, era de 4,17%. A mediana do Focus para a inflação de 2028 aumentou pela segunda semana seguida, de 3,78% para 3,80%. Um mês antes, era de 3,70%. Para 2029, seguiu em 3,50%, pela 47ª semana consecutiva.
A trajetória prevista pelo mercado segue acima da esperada pelo Banco Central. A autoridade monetária prevê alta de 5,2% do IPCA em 2026, 3,7% em 2027 e 3,1% em 2028, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
Projeção para a taxa de juros
A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 seguiu em 14% pela quinta semana consecutiva. A estimativa intermediária para os juros no fim de 2027, por sua vez, continuou em 12% pela sexta semana seguida.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC promoveu cortes de 0,25 ponto porcentual dos juros nas três primeiras reuniões de 2026, que levaram a Selic a 14,25% ao ano.
No comunicado da reunião de junho, o comitê voltou a enfatizar a incerteza do cenário e disse que, em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, a magnitude total do atual ciclo de calibração da Selic será estabelecida "à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta".
Na última sexta-feira, 24, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que o Copom trabalha com diferentes planos de voo para a condução da política monetária e avalia qual deles tem a maior capacidade de levar a inflação para mais perto da meta de 3%, com o menor custo em termos de volatilidade.
"Trabalhamos com trajetórias que contemplam cenários com combinações de diferentes momentos de pausa e de retomada no ciclo", disse, durante participação no evento Expert XP, em São Paulo.
A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 seguiu em 10,50% pela quarta semana seguida. A estimativa para 2029 continuou em 10,00% pela 12ª semana consecutiva.
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