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Fitch não prevê Brasil com grau de investimento no curto prazo, diz diretora da agência

Segundo Shelly Shetty, credibilidade da política fiscal brasileira ainda não se consolidou entre investidores

9 set 2025 - 13h12
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A chefe de ratings soberanos da Fitch Ratings para Américas e Ásia, Shelly Shetty, disse que a agência não prevê no curto prazo a volta do Brasil ao grupo dos países com as melhores notas de risco de crédito, o chamado grau de investimento.

Durante evento da Fitch em São Paulo, Shelly avaliou que a credibilidade da política fiscal brasileira ainda não se consolidou entre investidores, e o País apresenta atualmente métricas de crédito, como a relação dívida e Produto Interno Bruto (PIB), piores do que em 2015, quando a agência de rating tirou do Brasil o selo de investment grade.

"Não vemos o Brasil alcançando o grau de investimento no curto prazo", declarou a diretora da Fitch, que em junho reiterou o rating do País em BB, dois degraus abaixo do grau de investimento, com perspectiva estável. Ou seja, não há previsão de mudança da nota nos próximos meses.

Para Shelly Shetty, reformas que levem a uma maior confiança na estabilização da dívida no médio prazo podem ajudar Brasil a melhorar nota de risco de crédito
Para Shelly Shetty, reformas que levem a uma maior confiança na estabilização da dívida no médio prazo podem ajudar Brasil a melhorar nota de risco de crédito
Foto: Patricia Santos/Estadão / Estadão

Segundo Shelly, o Brasil tem âncora e metas fiscais, assim como mostrou bons números de crescimento econômico nos últimos anos, o que é positivo. Mas o País, ponderou, não tem conseguido entregar superávits primários — isto é, gasta mais do que arrecada, levando, ano após ano, a questionamentos do mercado sobre a credibilidade fiscal.

A consolidação fiscal no Brasil, afirmou, poderá ficar ainda mais complicada se o País enfrentar uma desaceleração mais acentuada ou mesmo entrar em recessão. As metas fiscais são muito dependentes da arrecadação pública.

Ela ressaltou que a nota do Brasil, apesar das incertezas globais trazidas, principalmente, pelas tarifas americanas, está bem fundamentada, refletindo tanto as forças, como o crescimento e solidez das contas externas, quanto as vulnerabilidades da economia brasileira, caso do crescimento da dívida pública e de um déficit fiscal que segue alto em meio à rigidez orçamentária.

A diretora da Fitch ressaltou que reformas que levem a uma maior confiança na estabilização da dívida no médio prazo podem ajudar o País a melhorar sua nota de risco de crédito. Por outro lado, a nota pode sofrer uma ação negativa se o País for em direção a uma dívida ainda mais explosiva. Nesse ponto, ela chamou a atenção ao risco de o governo cair na tentação de ampliar os estímulos fiscais se enfrentar no ano que vem uma eleição disputada e com a economia em desaceleração.

Estadão
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