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Fertilizantes: mercado deve recuar até 15% sob pressão de guerra e tributo, diz Sindiadubos-PR

O setor aponta que o cenário é agravado pela tributação de PIS/Cofins sobre fertilizantes, com início em 1º de abril, e pela Medida Provisória (MP) 1.343/2026, que trata do frete mínimo

30 mar 2026 - 15h42
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O mercado brasileiro de fertilizantes deve registrar uma retração entre 10% e 15% em 2026, segundo estimativa do Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas do Paraná (Sindiadubos-PR). Em nota, a entidade defende intervenções do governo federal para conter reajustes de insumos decorrentes de conflitos internacionais e medidas fiscais internas.

O setor aponta que o cenário é agravado pela tributação de PIS/Cofins sobre fertilizantes, com início em 1º de abril, e pela Medida Provisória (MP) 1.343/2026, que trata do frete mínimo. De acordo com o sindicato, a nova cobrança tributária representa um aumento de 2% nos custos.

No cenário global, o fechamento do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, pode resultar na perda de 5 milhões de toneladas na produção de fertilizantes fosfatados por mês. A região é responsável pela saída de 40% do enxofre mundial. Além disso, a Rússia proibiu a exportação de nitrato de amônia, produto do qual o Brasil importa cerca de 2 milhões de toneladas anuais.

"O mercado brasileiro de fertilizantes pode encolher neste ano em função dos altos custos e das dificuldades logísticas nos portos decorrentes das guerras na Ucrânia e no Irã", afirmou o presidente do Sindiadubos-PR, Aluísio Schwartz, em comunicado. Segundo ele, as importações apresentaram queda no primeiro quadrimestre do ano.

O dirigente avalia que o esgotamento das reservas de nutrientes no solo brasileiro fará com que a redução de adubação seja substituída pela redução de área plantada. Como consequência, Schwartz projeta a subida dos preços de soja, milho, frango, carne bovina, açúcar e café.

A entidade também destaca a queda na importação de fosfatados da China por causa de proibições de exportação impostas pelo governo chinês. "O Brasil pode enfrentar filas nos portos e atrasos no plantio da safra de soja, que começa em setembro, devido ao acúmulo de volumes de importação retidos", disse Schwartz.

O Sindiadubos-PR, a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) e a Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (AMA) pedem à União p adiamento da cobrança do PIS/Cofins. As entidades também solicitam a revisão da tabela de frete mínimo e negociações para a reabertura das exportações chinesas de fosfatados para o Brasil.

Estadão
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