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Fazenda espera inflação no teto da meta em 2026 sob efeito do conflito no Irã

18 mai 2026 - 13h35
(atualizado às 15h27)
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A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério ‌da Fazenda elevou nesta segunda-feira suas projeções de inflação para 2026 e 2027, prevendo que o IPCA atingirá o teto da meta neste ano sob impacto do conflito no Irã.

Sede do Ministério da Fazenda em Brasília, 14 de fevereiro de 2023. REUTERS/Adriano Machado
Sede do Ministério da Fazenda em Brasília, 14 de fevereiro de 2023. REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

A SPE também projetou um crescimento de 2,3% do PIB neste ano, mesmo nível estimado em março, apontando uma estimativa de alta de 2,6% para a atividade em 2027.

A secretaria estimou ⁠que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2026 em 4,5%, contra 3,7% ‌previstos antes. Em 2027, a previsão é de inflação de 3,5%, ante previsão de 3,0% feita em março.

"A perspectiva de maior inflação no ano reflete, principalmente, desdobramentos do conflito ‌no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e ‌seus derivados", disse a SPE.

O país tem uma meta contínua de inflação de 3%, ⁠com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos -- de 1,5% a 4,5%.

Apesar da elevação da estimativa para o comportamento dos preços, a Fazenda está mais otimista do que agentes de mercado, que esperam uma inflação de 4,92% neste ano, acima do teto da meta, segundo o mais recente boletim Focus do Banco Central.

De acordo com a SPE, ‌parte da pressão de alta da inflação tende a ser atenuada pela taxa de câmbio ‌mais apreciada e uma previsão de ⁠mercado de Selic ⁠mais alta no fim deste ano, além das medidas adotadas pelo governo para amortecer elevações de preços ⁠de combustíveis.

A SPE destacou uma deterioração "relevante" no cenário ‌internacional desde o início do conflito ‌no Oriente Médio, com piora nas perspectivas de crescimento da atividade econômica dos países e maior pressão inflacionária global.

A pasta observou que indicadores do primeiro trimestre deste ano sugerem aceleração da atividade no Brasil após crescimento praticamente nulo no fim de ⁠2025, apesar de destacar números elevados de endividamento e inadimplência.

A expectativa, segundo a SPE, é de uma desaceleração econômica no segundo e terceiro trimestres, com ligeira retomada no final do ano.

MEDIDAS EMERGENCIAIS

A secretaria ainda afirmou no relatório que medidas adotadas pelo governo para mitigar efeitos econômicos da guerra no Irã, incluindo subvenções ‌e cortes tributários para combustíveis, geram custo fiscal inferior ao aumento esperado da arrecadação derivada do choque de petróleo, já que o Brasil é exportador líquido do produto.

"As estimativas iniciais ⁠da SPE apontam que, combinando o crescimento esperado no pagamento de royalties, dividendos, IRPJ e CSLL, somados ao imposto de exportação, pode-se esperar um aumento da arrecadação da ordem de R$8,5 bilhões ao mês", apontou o documento.

De acordo com o subsecretário de Política Fiscal da Fazenda, Rodrigo Toneto, após o compartilhamento de receitas com Estados e municípios, o governo federal ficará com uma receita extra mensal de aproximadamente R$6 bilhões, valor similar ao gasto do primeiro conjunto de medidas emergenciais para diesel, GLP e querosene de aviação.

O cálculo ainda não incluiu a subvenção anunciada na semana passada para a gasolina. Toneto afirmou, no entanto, que a conta não deve ficar deficitária após a inclusão dessa nova despesa porque os números apresentados são conservadores e, segundo ele, os modelos sugerem que o nível das receitas será ainda maior.

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