Exportadores de café e carne celebram derrubada de tarifaço anunciada por Trump
Casa Branca retirou sobretaxa de 40% sobre diversos produtos brasileiros, uma semana após derrubar tarifa recíproca de 10%
Representantes de associações de exportadores de café e carne celebraram nesta quinta-feira, 20, o anúncio da retirada da tarifa adicional de 40% dos EUA sobre diversos produtos brasileiros, anunciada pelo presidente americano Donald Trump.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) apontou que a decisão de zerar as tarifas adicionais de 40% sobre a carne produzida no Brasil demonstra que o diálogo entre os governos funcionou.
"A reversão reforça a estabilidade do comércio internacional e mantém condições equilibradas para todos os países envolvidos, inclusive para a carne bovina brasileira", afirma a Abiec.
A entidade diz ainda que a medida demonstra a efetividade do diálogo técnico e das negociações conduzidas pelo governo brasileiro, que contribuíram para um desfecho construtivo e positivo.
"A Abiec seguirá atuando de forma cooperativa para ampliar oportunidades e fortalecer a presença do Brasil nos principais mercados globais", afirma a nota.
O Conselho de Exportadores de Cafés do Brasil (Cecafé) também comemorou a retirada da sobretaxa de 40% dos Estados Unidos sobre o café brasileiro.
"Celebramos a conquista da queda da tarifa adicional de 40%. Conseguiremos reduzir os impactos e buscaremos ao máximo reconquistar os espaços perdidos nos blends no mercado americano", disse o CEO do Cecafé, Marcos Matos, ao Estadão/Broadcast.
O café brasileiro era um dos setores mais afetados pelo tarifaço americano, já que ficou de fora da primeira lista de exceções, de 31 de julho, decretada pelo governo americano. Aproximadamente, 16% do café brasileiro é destinado aos Estados Unidos, um dos principais destinos de exportação do grão. Os embarques ao mercado americano reduziram expressivamente desde agosto com a entrada em vigor do tarifaço.
O setor cafeeiro nacional temia perda de espaço no mercado americano já que os principais concorrentes do grãos brasileiro estavam em condição tarifária mais vantajosa. "Agora, o café brasileiro está em pé de igualdade com as demais origens. Buscamos a isonomia com trabalho intenso dentro e fora do país, nos bastidores, no governo americano e aqui no governo brasileiro, e o resultado veio", comentou Matos.
Exportadores nacionais atuaram em articulação com a NCA (Associação Nacional do Café, que representa a indústria cafeeira nos Estados Unidos) para a isenção do produto brasileiro, que representa cerca de 34% de tudo que os EUA importam anualmente. Os EUA não são player relevante na produção de café, entretanto, são o maior consumidor global, dependendo de importações para abastecimento do mercado interno.
"Agora, o momento é de com a competência e eficiência da cadeia reconquistar os espaços nos blends. Com isso, não deixamos o concorrente fazer relação comercial de longo prazo com os nossos importadores", apontou o CEO do Cecafé.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) comemorou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para a entidade, a medida é um avanço concreto na renovação da agenda bilateral e condiz como o papel do Brasil como grande parceiro dos Estados Unidos.
"Vemos com grande otimismo a ampliação das exceções e acreditamos que a medida restaura parte do papel que o Brasil sempre teve como um dos grandes fornecedores do mercado americano", afirmou o presidente da entidade, Ricardo Alban.
O executivo lembrou que o setor privado tem atuado de forma consistente para contribuir com o avanço nas negociações envolvendo o tarifaço. "A nova medida volta a tornar os nossos produtos competitivos, uma vez que a remoção das tarifas recíprocas, de 10%, na última semana, havia deixado nossos produtores em condições menos vantajosas", complementou.
Alban considera o resultado obtido hoje "animador" para novas etapas da negociação com o governo americano e a expectativa é avançar nos termos sobre bens industriais. "A complementariedade das economias é real e agora precisamos evoluir nos termos para a entradas de bens da indústria, para a qual os EUA são nosso principal mercado, como para o setor de máquinas e equipamentos, por exemplo."