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Engie vence disputa por gasoduto da Petrobrás

Empresa franco belga vai pagar US$ 8,6 bilhões pelo ativo que atende as regiões Norte e Nordeste

5 abr 2019
16h25
atualizado às 23h37
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O consórcio formado pela francesa Engie e o fundo canadense Caisse de Depot e Placement du Quebec (CDPQ) venceu a disputa para comprar 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG), da Petrobrás. O grupo vai pagar US$ 8,6 bilhões (R$ 33 bilhões) pelo gasoduto de 4,5 mil quilômetros (km) nas Regiões Norte e Nordeste. Trata-se da maior venda da Petrobrás, cujas ações subiram 2% ontem.

A entrada do dinheiro no caixa da estatal, que tem outros ativos à venda, deve ocorrer depois das aprovações pelos órgãos de governança da empresa e de defesa da concorrência. Com a transação, cujo valor total do ativo é de R$ 35,1 bilhões, a Petrobrás ficará com 10% do gasoduto e continuará usando quase toda capacidade da rede por meio dos contratos vigentes. "Para a estatal, foi ótimo porque ela ainda tem problemas financeiros e agora passa a se concentrar na exploração upstream (fase antes do refino)", afirma Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Para a Engie, a aquisição significa um salto nos negócios do grupo no Brasil. Antiga Tractebel, a empresa estreou no mercado nacional com a compra da Gerasul e hoje é a maior gerador privada de energia elétrica País. "Foram quase dois anos de negociação, mas valeu a pena porque demos uma passo importante na diversificação dos negócios no Brasil", afirmou o presidente da Engie, Maurício Bähr.

Ele explica que, na composição do consórcio, a Engie ficou com 58,5% de participação e o CDPQ - que está fazendo o primeiro investimento no País - com 31,5%. A participação da francesa, que foi assessorada pelo Citi, será dividida meio a meio entre a Engie Brasil Energia e a Engie na França. Cerca de R$ 22 bilhões do valor total da transação serão financiados por bancos nacionais e estrangeiros. Outros R$ 11,5 bilhões são capital próprio dos dois sócios.

Parte dos empréstimos será feito em dólar com seis ou oito bancos internacionais. A parte em reais será financiada por três bancos brasileiros. "Todo o financiamento será baseado nos recebíveis do gasoduto", afirmou Bähr. Em 2017, a TAG faturou cerca de R$ 4,5 bilhões.

Atualmente a Engie detém 32 mil km de gasodutos de transporte e 200 mil km de redes de distribuição de gás no mundo. "Como no setor de energia elétrica, que expandimos de 3,3 mil MW para 10 mil MW, o objetivo é crescer nessa área também. Mas vamos assumir a empresa primeiro para depois decidir sobre expansão."

Iniciadas em 2017, as negociações para compra da TAG foram suspensas no ano passado por decisão judicial e retomadas em janeiro deste ano. A venda do gasoduto foi feita em duas etapas, conforme regra definida pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Na primeira, a Engie já havia apresentado a melhor proposta e foi escolhida pela Petrobrás, que foi assessorada pelo banco Santander, para negociar as bases do contrato.

Na segunda fase, todos os concorrentes que participaram da primeira, mas perderam, tiveram a oportunidade de fazer novas ofertas. Os grupos tiveram 20 dias para refazer as propostas, cujo prazo terminou na terça-feira. Além do grupo de Engie e CDPQ, o fundo Mubadala e um consórcio formado por Itaúsa o fundo Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) fizeram ofertas.

Segundo fontes ligadas ao processo, a disputa pelo ativo foi acirrada. O Mubadala ficou em segundo lugar e o consórcio de Itaúsa e CPPIB, em terceiro lugar. A diferença entre as propostas foi pequena. Todos tiveram de apresentar garantias de R$ 1 bilhão para a Petrobrás. Para ter ideia do tamanho do negócio, o valor de TAG é maior que toda participação da Petrobrás na BR Distribuidora, da ordem de R$ 21 bilhões.

Em setembro de 2016, a Petrobrás vendeu 90% do gasoduto Nova Transportadora do Sudeste (NTS) para a gestora canadense Brookfield e Itaúsa. A estatal levantou US$ 4,2 bilhões.

Estadão

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