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Energisa vai trocar termoelétricas a diesel por energia solar e subestações na Amazônia

Plano da empresa para o Acre e Rondônia prevê, até 2025, o desligamento das térmicas, que são mais caras e poluentes; em comunidades ribeirinhas serão instalados sistemas de geração solar, em parceria com o programa Mais luz para a Amazônia

29 jan 2021 - 09h10
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RIO - Considerada o "pulmão do mundo", a região amazônica convive até hoje com termoelétricas caras e poluentes a diesel, tanto pela impossibilidade de acesso por causa da floresta quanto pela falta de investimentos das distribuidoras estatais que atuavam na região e somente em 2018 passaram à iniciativa privada.

Até 2025, a Energisa vai concluir um programa de desligamento dessas térmicas no Acre e em Rondônia, áreas de concessão da empresa, com as unidades sendo substituídas por linhas de transmissão e subestações, onde for possível, ou por sistemas de geração solar distribuída nas comunidades ribeirinhas, em parceria com o programa governamental Mais luz para a Amazônia.

Mesmo onde houver apenas uma família morando, informa o presidente do grupo Energisa, Ricardo Botelho, um sistema solar será instalado, permitindo que as famílias tenham acesso a aparelhos eletrodomésticos e internet e desenvolvam negócios. O programa, que soma investimentos de R$ 1,2 bilhão, começou em 2019 e prevê tirar do sistema 19 termoelétricas a diesel, ou 169 megawatts (MW), evitando emissões de 502 mil toneladas de CO2 por ano na atmosfera.

Este ano serão investidos R$ 950 milhões nas duas distribuidoras, sendo que cerca da metade virá do programa do governo para melhorar a vida da região. Mais de 400 mil pessoas serão beneficiadas em 16 municípios. Ao fim do programa, quando a última térmica for desligada, as contas de luz dos brasileiros terão uma economia anual de R$ 665 milhões, referentes à suspensão dos subsídios concedidos para evitar que o alto custo da operação das térmicas seja totalmente repassado para as tarifas.

Subestação da Energisa no município de Manoel Urbano, no Acre.
Subestação da Energisa no município de Manoel Urbano, no Acre.
Foto: Energisa/Divulgação / Estadão

Três unidades já foram desligadas em Rondônia no ano passado (Alvorada do Oeste, Costa Marques e São Francisco). A partir de 2021, mais nove serão desligadas no Estado e a última em 2022, garantindo a interligação das regiões de Machadinho, Buritis e Ponta do Abunã, chegando a 102,8 MW descomissionados.

"Nos próximos dias vamos disponibilizar um 'descarbonômetro', um reloginho que vai permitir à sociedade acompanhar diariamente todas as emissões evitadas à medida que formos desligando as térmicas", antecipa Botelho, que acompanha pessoalmente o projeto-piloto de Vila Restauração, no Acre, que será inaugurado em julho deste ano e estendido para as outras comunidades ribeirinhas.

O projeto consiste na instalação de um sistema que inclui geração solar fotovoltaica e armazenamento de energia (baterias) e um gerador de backup movido a biodiesel. Os cerca de 750 habitantes da vila passarão a ter energia 24 horas por dia. Atualmente, os moradores só têm energia por cerca de quatro horas por dia por meio de um gerador a diesel custeado por eles.

A Vila fica no Alto Juruá e para ser acessada, depois de outros transportes até o município de Marechal Thaumaturgo, o mais próximo, é necessário navegar mais oito horas no rio em pequenas embarcações.

"O grande objetivo é fornecer energia de qualidade para quem precisa, contribuindo para ter uma energia mais limpa e mais sustentável, em uma região que tem tudo a ver com sustentabilidade e onde temos presença bastante expressiva da nossa companhia, 40% dos nossos clientes estão na Amazônia Legal", explica o executivo.

Apesar de não ser área de concessão da Energisa, uma termoelétrica de 16 MW também foi desligada no Pará este ano com a conexão de uma linha de transmissão da empresa (Xinguara II - Santana do Araguaia ), adquirida no leilão de 2018, contribuindo com a descarbonização da região.

Botelho explica que o maior impacto para despoluir a região virá das interligações com linhas de transmissão e subestações, enquanto os projetos de energia solar ligados ao programa do governo Mais luz para a Amazônia devem beneficiar cerca de 1.800 pessoas de baixa renda, que ainda estão sendo cadastradas. Ele destaca que o grande problema da distribuidora tem sido cadastrar esses brasileiros espalhados pela floresta.

Linha de transmissão da Energisa no município de Assis Brasil, no Acre.
Linha de transmissão da Energisa no município de Assis Brasil, no Acre.
Foto: Energisa/Divulgação / Estadão

"Nós mapeamos toda a área por foto de satélite e vamos atrás de cada pontinho que tem uma casa para ver se é um cliente precisando de energia elétrica", diz. "O problema grande de você ser distribuidor nessas regiões é que é um trabalho enorme das equipes para atender o território. Essas regiões ficaram para trás, não foram atendidas pelas estatais no passado, e agora temos o trabalho de resgatar essa população."

Para Botelho, outro ponto fundamental do projeto de descarbonização da região será reduzir o número de fraudes, que colocam as duas distribuidoras da empresa no pódio das maiores perdas não técnicas do grupo. Nos próximos três anos serão investidos R$ 310 milhões no combate às perdas no Acre, que hoje chegam a 18,9% de toda a energia elétrica que a Energisa distribuiu, e em Rondônia (perdas de 27,6%). Os índices de perdas da concessionária do grupo no interior de São Paulo ficam em torno de 5%.

"Se pensar em um grande programa de descarbonização e eficiência energética, o melhor jeito é acabar com esse desperdício no bolso do cliente que paga regularmente. No Acre e em Rondônia, temos indicadores de perdas não técnicas e de fraude bastante elevadas, de alguns consumidores apenas, mas o que, além de criminoso, é ambientalmente e socialmemte injustificado", afirma Botelho.

Estadão
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