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Empresários do varejo querem que governo se reaproxime e aprofunde diálogo com iniciativa privada

Setor quer sinalização mais clara do novo governo sobre trajetória dos juros; para presidente do IDV, Jorge Gonçalves Filho, Lula tem capital político para adiar entrada em vigor da escala 5x2

27 out 2026 - 10h10
(atualizado às 12h16)
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Resumo
Empresários do varejo cobram maior aproximação e diálogo com o governo Lula para destravar a economia. As principais reivindicações do setor incluem a queda da taxa Selic por meio do controle fiscal, maior prazo para a adoção da jornada 5x2 e o adiamento de trechos da reforma tributária. Representantes como o IDV e o Magazine Luiza apontam que os juros altos sufocam o consumo e ampliam as dívidas, defendendo também a revisão de isenções a sites internacionais para proteger o comércio nacional.

Empresários e entidades que representam o varejo esperam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito para um mandato de mais quatro anos a partir de janeiro de 2027, se reaproxime e abra um canal de diálogo com o setor privado.

Entre os pleitos do setor estão uma sinalização mais clara e consistente, da parte do governo, sobre a queda da taxa de juros, o aumento do prazo para a implantação de mudança da escala de trabalho e redução de jornada, bem como adiar a entrada em vigor de alguns pontos da reforma tributária programada para vigorar a partir de janeiro de 2027.

Em relação à Selic, com o custo do crédito menor, segundo os empresários, será possível destravar os negócios e impulsionar as vendas, atenuando o custo de carregamento de dívidas que tem levado inúmeras varejistas a pedir recuperação judicial e extrajudicial.

Jorge Gonçalves Filho, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), que representa cerca de 70 varejistas de médio e grande porte, diz que o novo governo do presidente Lula precisa dar uma sinalização mais clara de que a questão da elevada taxa de juros será equacionada. É que os juros têm desdobramentos sobre as vendas e a inadimplência.

"O nível atual dos juros é um impeditivo muito forte para que o varejo cresça e o consumo melhore", diz o presidente do IDV. E o caminho para reduzir o nível atual de juros seria, segundo executivo, uma sinalização da parte do governo sobre controle da dívida pública. Com isso, seria possível aumentar a confiança dos empresários e dos consumidores na economia.

Para o CEO do Magazine Luiza, Frederico Trajano, o próximo governo do presidente Lula terá de reprogramar os gastos públicos, a fim de acelerar a queda dos juros. "O capital é o combustível da iniciativa privada. Se o custo de capital está alto, nós não conseguimos usar esse combustível." Hoje a taxa básica de juros da economia brasileira está em 13,75% ao ano e ela baliza os juros cobrados do consumidor.

Trajano defende o aprofundamento do diálogo, sobretudo por meio de associações e entidades de classe e setoriais, e diz que essa reaproximação "é um caminho de mão dupla". "Precisa ser vista como importante tanto pelo governo quanto pela iniciativa privada."

Gonçalves Filho ressalta que o IDV não teve, nos últimos tempos, dificuldade de interlocução com o atual governo. "Mas isso não significou que o governo atendeu a todas as nossas demandas", pondera.

O executivo cita como exemplo o fim do imposto de importação sobre as blusinhas, que isentou os sites internacionais. Ele atribui a falta de sucesso no atendimento dessa e de outras demandas do varejo ao momento pré-eleitoral.

O presidente do IDV diz que pretende voltar a conversar com o governo, mostrando dados que indiquem o quanto deixar de tributar, nesse caso, é prejudicial para a indústria e o varejo nacional.

Escala 5x2

Além da volta da taxa das blusinhas, outro pleito do setor junto ao governo é obter mais prazo para a implantação da escala de trabalho 5x2 com redução de 44 para 40 horas semanais e também para a entrada em vigor de alguns pontos da reforma tributária.

"Pelo capital político que adquiriu nas eleições, acho que o governo tem todas as condições de conseguir isso", diz Gonçalves Filho. Ele destaca que essa seria uma forma de o governo se reaproximar dos empresários do varejo.

Estadão
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