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Embraer: 'Momento muito bom' tem venda recorde em defesa, produtividade maior e eVtol no horizonte

Com lucro e projeções acima do esperado, fabricante de aviões foi beneficiada por tensões geopolíticas e mercado aéreo em alta; ações disparam e entram em leilão

10 ago 2026 - 12h28
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A Embraer divulgou resultados acima do esperado pelo mercado na manhã desta segunda, 10, - e as notícias positivas não ficaram restritas aos números. A fabricante de aeronaves trouxe boas perspectivas em termos de médio e longo prazos e reviu para cima suas projeções. Com isso, suas ações disparam 9,40% e entraram em leilão (quando há a interrupção automática da compra e venda para evitar volatilidade descontrolada).

A Embraer encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 1,113 bilhão, o que representa um crescimento de 25,1% ante o apurado no igual intervalo do ano passado. Também reviu sua projeção de lucratividade operacional (margem Ebit) de 8,7% a 9,3% para 10% a 10,6%. Para o fluxo de caixa livre, a expectativa passou de US$ 200 milhões ou mais para US$ 400 milhões ou mais.

"Estamos num momento muito bom", disse Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer, durante teleconferência sobre os resultados no segundo trimestre.

Um dos motivos são as tensões geopolíticas, que têm levado países a acelerar compras de aviões na área de Defesa e beneficiado os negócios da Embraer. Esse efeito tem acontecido especialmente nas vendas do avião de transporte militar KC-390.

Como exemplo, Gomes Neto citou as recentes seleções da aeronave pelos Emirados Árabes Unidos e pela Colômbia, além de um potencial acordo envolvendo Portugal. A Embraer também trabalha em outra campanha de vendas que, segundo ele, ainda não pode ser divulgada.

"Essa situação geopolítica tem afetado, sim, o negócio de Defesa. Não só para nós, para o mercado todo, mas tem nos beneficiado", afirmou Gomes.

A Embraer também vê oportunidade para a venda de 60 a 80 aeronaves KC-390 à Índia no âmbito do programa de transporte militar médio do país. A Embraer já assinou um memorando de entendimento com uma parceira local e aguarda a Força Aérea da Índia apresentar o pedido formal de propostas, o RFP, para então definir sua estratégia de localização da produção.

Além da frente de Defesa, o CEO destacou oportunidades na aviação civil. A companhia trabalha para introduzir os jatos E1 e E2 no mercado indiano, com o objetivo de ampliar a conectividade entre cidades menores e aproveitar a iniciativa "Make in India".

Para isso, a Embraer também mantém conversas com um grupo local após a assinatura de um memorando de entendimento. "Ambas são oportunidades excelentes para a Embraer crescer e expandir sua produção fora do Brasil", afirmou Gomes. Na área de Defesa, a Embraer estima que o segmento mantenha participação de 12% a 15% da receita da companhia pelo menos até 2030, mas com rentabilidade crescente.

Na área de Aviação Comercial, o transporte aéreo tem se mostrado resiliente mesmo diante dos preços mais elevados das passagens, segundo ele. A continuidade das viagens tem sustentado a demanda por novas aeronaves, enquanto as extensas carteiras de pedidos de aviões de maior porte fazem com que clientes enfrentem esperas de anos para receber novas unidades.

Por outro lado, o prazo de produção do jato Praetor caiu de 18 meses, em 2020, para 8,5 meses. Esse foi um dos exemplos citados por Gomes Neto como ganho de eficiência obtidos pela fabricante nos últimos anos.

Segundo ele, a Embraer vem aplicando iniciativas semelhantes aos demais modelos, o que permite elevar a produção sem aumento proporcional da estrutura. "A gente consegue produzir mais aviões com a mesma estrutura", afirmou.

Embraer avalia aumentar capacidade industrial

Em paralelo aos ganhos de produtividade, a companhia também investe na ampliação da capacidade industrial. Para 2030, a expectativa é alcançar capacidade anual de 110 a 120 aviões comerciais, mais de 200 jatos executivos e mais de 10 KC-390 no Brasil.

A Embraer também avalia novas linhas de produção. Há possibilidade de expansão da fabricação do KC-390 e, caso o projeto da companhia na Índia avance, poderá ser criada uma segunda linha de produção de aviões comerciais no país.

"Não vai ser a capacidade de produção que vai limitar o nosso investimento futuro", disse.

Já o eVTOL (Veículo Elétrico de Decolagem e Pouso Vertical, na sigla em inglês) da subsidiária Eve pode iniciar operação comercial no Brasil e nos Estados Unidos até o fim de 2028. A expectativa é que a certificação da aeronave também seja obtida até o fim daquele ano.

A Eve já realizou mais de 60 voos verticais e concluiu recentemente sua primeira transição parcial para voo horizontal.

eVTOL: 3 mil cartas de compra
eVTOL: 3 mil cartas de compra
Foto: Divulgação / Estadão

No Brasil, a produção será iniciada em Taubaté (SP), em uma fábrica com capacidade máxima próxima de 480 unidades por ano. De acordo com Gomes Neto, a companhia pretende acompanhar a evolução da demanda antes de decidir sobre eventuais novas unidades de produção do eVTOL.

A Eve tem atualmente cerca de 3 mil cartas de intenção de compra, além de alguns pedidos firmes. "Estamos muito confiantes com relação à contribuição da Eve com o crescimento da Embraer, principalmente em 2029 e 2030, para complementar a nossa estratégia de crescimento no início da próxima década", disse.

Sobre a redução de riscos do projeto, a companhia condiciona o avanço a marcos como uma transição completa de voo e a reversão. "Conforme a campanha for progredindo pelo resto do ano e em 2027, esperamos que esse progresso venha a acontecer", afirmou.

Com os resultados, o Itaú BBA reiterou a recomendação outperform (equivalente à compra) para a Embraer após a divulgação do resultado do segundo trimestre de 2026, que veio acima das projeções do banco, e o aumento das projeções para margem de Ebit e geração de fluxo de caixa livre (FCF). O relatório reforça a Embraer como top pick do setor.

Segundo os analistas Daniel Gasparete, Gabriel Rezende e Pedro Tineo, o Ebit ajustado superou estimativas "já otimistas" do banco por dinâmica operacional melhor do que a prevista. Para eles, a combinação de trimestre forte e revisão para cima do guidance tende a colocar a tese no radar de mais investidores, já que a Embraer seria "surpreendentemente" pouco acompanhada por investidores locais.

Estadão
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