Dólar fecha em leve baixa com eleição, exterior e IPCA-15 no foco
O dólar fechou a sexta-feira em leve queda de 0,19%, cotado a R$ 5,1834, acompanhando o recuo global da divisa norte-americana. No cenário doméstico, os negócios foram balizados pelo IPCA-15 de setembro, que subiu 0,70% e veio acima do esperado, gerando incertezas sobre futuros cortes na taxa Selic. Além disso, o mercado reagiu à pesquisa Datafolha para a eleição presidencial, que apontou empate técnico entre Lula (47%) e Flávio Bolsonaro (45%), mantendo a cautela entre os investidores locais.
O dólar fechou a sexta-feira com leve variação negativa ante o real, influenciado de um lado pelo recuo firme da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas no exterior e, de outro, pelos dados da nova pesquisa Datafolha e do IPCA-15 de setembro.
O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,19%, a R$5,1834. Na semana, a divisa acumulou alta de 0,74% e, no ano, baixa de 5,57%.
Às 17h04, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- cedia 0,23% na B3, aos R$5,1865.
Após os avanços mais recentes, o dólar exibiu nesta sexta-feira perdas ante divisas como o iene, o euro e a libra, ainda que os investidores sigam posicionados para nova alta de juros nos EUA em outubro. A moeda norte-americana também cedeu ante divisas como o peso colombiano e o rand sul-africano, entre outras, em uma sessão no geral de pouco fôlego para as divisas de países emergentes.
No Brasil, a eleição também seguiu influenciando os negócios. O Datafolha informou na noite de quinta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seguiu com vantagem de 2 pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno da eleição presidencial.
Lula tem 47% e Flávio soma 45%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Na semana passada, Lula tinha 46% e Flávio registrava 44%.
O petista ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias não tão favoráveis a Flávio -- como a manutenção da vantagem numérica de Lula no Datafolha -- tendem a trazer um viés de alta para o dólar.
Outro fator de atenção dos investidores foi o IPCA-15 de setembro, divulgado mais cedo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,70% em setembro, após recuar 0,40% em agosto. Em 12 meses, houve elevação de 4,47% em setembro, contra 4,24% em agosto.
Economistas ouvidos pela Reuters projetavam altas menores, de 0,53% em setembro e 4,30% em 12 meses.
Uma inflação mais pressionada é um fator que pode dificultar novos cortes da taxa básica Selic, hoje em 13,75%, no curto prazo, com efeitos sobre o câmbio.
Em meio aos fatores internos e externos, o dólar à vista variou entre a mínima de R$5,1731 (-0,39%) às 9h03, logo após a abertura, e a máxima de R$5,2152 (+0,43%) às 11h19. Durante a maior parte do dia, no entanto, ele se manteve próximo da estabilidade.
No exterior, às 17h07 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,29%, a 101,000.
(Edição de Pedro Fonseca)
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