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Embraer e Boeing negociam combinação de negócios

21 dez 2017 - 19h33
(atualizado às 19h57)
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As fabricantes de aviões Embraer e Boeing estão discutindo uma combinação de seus negócios, disseram as companhias nesta quinta-feira, em um movimento que pode consolidar um duopólio global na indústria de aviação.

Aviões Boeing 737 MAX e Embraer E190-E2 são vistos em aeroporto em perto de Paris, França. As empresas anunciaram hoje que estão estudando uma combinação de negócios.
16/6/2017 REUTERS/Pascal Rossignol
Aviões Boeing 737 MAX e Embraer E190-E2 são vistos em aeroporto em perto de Paris, França. As empresas anunciaram hoje que estão estudando uma combinação de negócios. 16/6/2017 REUTERS/Pascal Rossignol
Foto: Reuters

As ações da Embraer fecharam em alta de 22,5 por cento, na maior valorização desde junho de 1999. Porém, o giro financeiro do papel foi o sétimo maior do pregão nesta quarta-feira. As ações da Boeing fecharam em baixa de 1,2 por cento.

A informação sobre uma união das companhias, primeiramente noticiada pelo jornal The Wall Street Journal, veio dois meses após a Airbus, rival europeia da Boeing, ter fechado acordo para adquirir uma parcela majoritária no programa de aviões regionais CSeries, da canadense Bombardier, rival direta dos jatos da Embraer.

A Reuters noticiou na época do anúncio entre Airbus e Bombardier que o acordo do CSeries poderia aproximar Boeing e Embraer.

Porém, fonte de alto escalão do governo brasileiro que acompanha as discussões afirmou à Reuters nesta quinta-feira que uma potencial venda do controle da Embraer "está totalmente fora de cogitação" e que as conversas entre Boeing e a fabricante brasileira estão "muito no começo".

Segundo a fonte, o governo brasileiro, que detém uma golden share na Embraer que dá poder de veto sobre decisões estratégicas da companhia, estaria aberto a parcerias da companhia na área de aviação comercial.

"As parcerias comerciais estão sim nos planos (da Embraer), mas uma venda da empresa está totalmente fora da pauta e da mesa", disse a fonte. "As conversas estão concentradas na Boeing, são iniciais e muito preliminares para se determinar como serão essas parceiras", acrescentou.

Por décadas, Bombardier e Embraer se enfrentaram no segmento de aviões regionais de 70 a 100 assentos, abaixo do radar de Airbus e Boeing. Mas a aliança entre o grupo europeu com a Bombardier pode ter perturbado este delicado equilíbrio.

Uma parceria mais próxima da Embraer com a Boeing é contemplada há anos pela indústria. As duas empresas já trabalham em projetos que incluem combustíveis alternativos e o próprio cargueiro desenvolvido pela companhia brasileira, o KC-390.

Segundo o Wall Street Journal, a Boeing tem interesse em tomar medidas para proteger a marca da Embraer, estrutura de gestão e empregos da companhia na esperança de convencer o governo brasileiro a aceitar um acordo.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, onde está localizada a principal fábrica da Embraer, divulgou comunicado defendendo veto do governo federal a uma venda da Embraer. "Única fabricante brasileira de aviões e terceira maior do setor no mundo, a Embraer é estratégica para o país e não pode ser vendida para capital estrangeiro", afirmou a entidade.

Em setembro, o ministério da Fazenda pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) um estudo sobre como o governo poderia sair das golden shares que possui em empresas que foram privatizadas.

Na avaliação de analistas do BTG Pactual, pode haver algumas estruturas legais que fariam com que a golden share do governo não tenha poder de veto, "como um acordo de exclusividade envolvendo E-jets (jatos regionais)" da Embraer.

Ainda segundo os analistas do BTG, o estatuto da Embraer carregara um mecanismo de defesa contra aquisições, "poison pill", que poderia implicar em um ágio de 250 por cento em relação ao preço atual da ação da empresa.

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