Economistas elevam previsão de inflação e Selic para 2026 e 2027 no Focus
Economistas consultados pelo Banco Central elevaram suas estimativas para a inflação e para a taxa básica de juros ao fim deste ano e no próximo, mostrou a edição mais recente do Boletim Focus divulgada nesta segunda-feira pela autoridade monetária, que apontou um cálculo menor para a taxa de câmbio ao término de 2026 e 2027.
Os agentes veem agora a taxa básica de juros Selic terminando este ano em 13,00% ao ano e o ano seguinte em 11,00% ao ano. Na semana anterior, as expectativas eram de um juro de 12,50% e 10,50%, respectivamente. A Selic está atualmente em 14,75%.
A pesquisa do Banco Central também apontou que os economistas seguem esperando um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para os dias 28 e 29 de abril, e passaram a ver uma redução de igual magnitude na reunião seguinte, em junho, ante expectativa na semana anterior de um corte de 0,50 ponto percentual.
Para a inflação medida pelo IPCA, os agentes calculam agora que ela encerrará este ano em 4,80%, ante 4,71% na semana anterior, e em 3,99% no final do ano que vem, ante 3,91% uma semana atrás. A meta da inflação é de 3,00% ao ano com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que coloca a estimativa do IPCA para o final de 2026 acima do teto da meta.
Os ajustes nas estimativas acontecem em meio à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada no final de fevereiro, e que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, hidrovia por onde passa um quinto do comércio mundial de petróleo. O conflito abalou os mercados financeiros e gerou temores inflacionários ao redor do mundo.
Os economistas também revisaram para baixo suas previsões da taxa de câmbio e enxergam agora um dólar cotado a R$5,30 ao final de 2026 e a R$5,35 ao final de 2027. Há uma semana as previsões eram de dólar a R$5,37 no fim deste ano e a R$5,40 ao término do próximo. O dólar encerrou a semana passada com sua menor cotação desde março de 2024, acumulando na semana uma queda de 0,53% e no ano uma baixa de 9,21%.
Para o crescimento da economia, os agentes ajustaram as contas para este ano em 0,01 ponto percentual para cima, a 1,86%, e mantiveram a estimativa de crescimento de 1,80% para o ano que vem.
Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.