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É inaceitável receber intimidação perto das eleições, diz Durigan sobre ameaças de tarifas dos EUA

Segundo ministro da Fazenda, decisões dos EUA têm caráter 'muito mais político do que técnico' e governo brasileiro tem respondido às pressões com 'diplomacia'

1 jun 2026 - 08h44
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BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira, 1.º, que é preciso usar argumentos sólidos em resposta a ameaças do governo norte-americano, como na investigação da seção 301, que pode impor novas tarifas comerciais ao Brasil. Para ele, esse tema teria um caráter muito mais político do que técnico por parte dos Estados Unidos. Ele comentou o assunto em entrevista ao Jornal da Manhã, da CBN.

"É inaceitável que a gente receba esse tipo de pressão, de intimidação, perto do período eleitoral, a pretexto de dizer que está se preocupando com o Brasil ou com a higidez do nosso comércio. Porque quem está, de fato, preocupado somos nós mesmos com isso", afirmou.

Segundo ele, os argumentos dos EUA contra a 25 de Março, o Pix e o desmatamento são forçados.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

"Ela tem um caráter político muito mais do que técnico, a sessão 301. A gente tem esclarecido e participamos das conferências e das audiências com os técnicos norte-americanos, e eles próprios reconhecem que isso já foi esclarecido outras vezes", disse.

Os Estados Unidos devem publicar o resultado da investigação comercial contra o Brasil sobre supostas "práticas desleais" no comércio nos próximos dias.

Interlocutores do governo americano sinalizaram que o resultado poderá ser publicado já nesta segunda-feira, relatam pessoas que acompanham as tratativas. O aceno foi feito a executivos do setor privado e a empresas de advocacia, que defendem o setor produtivo brasileiro.

Os EUA acusam o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — como o Pix —, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.

A investigação envolve até o comércio da Rua 25 de Março, em São Paulo.

O resultado da investigação poderá ensejar tarifas sobre produtos importados brasileiros, bem como demais medidas retaliatórias. O momento é de definição da 301 e o resultado dela pode ser mais estrutural que aplicação de tarifas, segundo um integrante do governo brasileiro.

A investigação é conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), o qual deverá publicar o resultado final da apuração. Outra pessoa a par do assunto admite que é uma investigação ampla e pode ser uma bomba do ponto de vista comercial.

Durigan cita ainda que, em paralelo, a família Bolsonaro agiu para categorizar as facções criminosas como terroristas.

"São argumentos (da seção 301) muito forçados, muito errados do ponto de vista do governo norte-americano. Em paralelo a isso, a gente vê a movimentação da família Bolsonaro com relação à designação de organizações que causam terror no Brasil, terror social, um terror de disrupção dos serviços públicos muitas vezes no país, mas que não tem a característica de montar ataque nos EUA, ferir a soberania dos EUA, uma forçação de barra sem fim", completou.

Durigan disse ainda que vai fazer tudo para que essas decisões do governo norte-americano não tenham impacto econômico no Brasil.

Estadão
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