Dólar volta a fechar abaixo de R$5,00 após Trump adiar ataque contra o Irã
O dólar fechou a segunda-feira em queda firme e novamente abaixo dos R$5,00, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado o adiamento de um ataque militar programado para a terça-feira contra o Irã.
Em sintonia com a baixa da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, o dólar à vista fechou em baixa de 1,34%, aos R$4,9987. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,93% ante o real.
Às 17h04, o dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 1,17% na B3, aos R$5,0150.
O dólar cedeu durante toda a sessão no Brasil, com os investidores promovendo ajustes técnicos após a disparada da última semana e reagindo ao recuo da divisa ante outras moedas no exterior.
"O dólar subiu demais com o caso do (senador) Flávio Bolsonaro. Houve uma alta agressiva, e hoje está tendo um ajuste, com a melhora do ambiente também no exterior", disse no início da tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
Na semana passada, uma reportagem do Intercept Brasil havia informado que Flávio pediu ao ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, R$134 milhões para bancar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. Flávio Bolsonaro nega ter cometido qualquer irregularidade e alega ter buscado recursos privados para um filme sobre a história do pai, sem oferecer vantagens em troca.
O viés de baixa para o dólar nesta segunda-feira foi intensificado no fim da tarde após Trump informar pelas redes sociais o adiamento de um ataque militar contra o Irã que estava programado para terça-feira.
Ainda que não haja uma solução para o conflito, que segue prejudicando o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz, o anúncio de Trump trouxe certo alívio para os investidores, que temem o fim do cessar-fogo entre os países.
"O câmbio passa por um ajuste técnico e testa o patamar de R$5,00, monitorando também o alívio temporário no exterior trazido pelos sinais de distensão entre EUA e Irã, que chegaram a arrefecer os preços das commodities na parte da tarde", pontuou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
Às 16h45, já após o anúncio de Trump, o dólar à vista atingiu a cotação mínima de R$4,9957 (-1,40%), para depois fechar pouco abaixo dos R$5,00.
O recuo esteve em sintonia com a baixa da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.
Às 17h11, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- caía 0,38%, a 98,978.
No mercado de câmbio brasileiro, ficou em segundo plano a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que caiu 0,7% em março ante fevereiro na série com ajustes sazonais. O resultado foi pior que a retração de 0,2% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Na comparação com março do ano passado, houve ganho de 3,1% pela série sem ajustes.
No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho.
(Edição de Isabel Versiani)
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