Dólar tem baixa leve sob influência do noticiário político e do exterior
O dólar encerrou a segunda-feira em baixa de 0,28%, cotado a R$ 5,1814, influenciado pela disputa da Ptax de fim de mês e pelo cenário internacional, marcado pela alta do petróleo acima de US$ 90 após tensões entre EUA e Irã. No plano doméstico, o recuo da moeda foi impulsionado por pesquisas eleitorais que indicam um cenário mais acirrado entre Lula e Flávio Bolsonaro, fator visto pelo mercado como redutor de pressão fiscal, além de desdobramentos jurídicos envolvendo candidaturas no TSE.
O dólar fechou a segunda-feira com leve baixa no Brasil, influenciado pelo noticiário político, pelo avanço dos preços internacionais do petróleo e pelo recuo da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior.
O dólar à vista encerrou o dia com baixa de 0,28%, aos R$5,1814. No ano, a divisa passou a acumular recuo de 5,60%.
Às 17h03, o dólar futuro para outubro -- que nesta segunda-feira passou a ser o mais negociado no mercado brasileiro -- cedia 0,13% na B3, aos R$5,2170.
A primeira parte da sessão foi marcada, entre outros fatores, pela definição da taxa Ptax de fim de mês. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).
No início da tarde, o BC informou que a Ptax fechou em R$5,1816 para venda e R$5,1810 para compra.
Mais cedo, duas pesquisas eleitorais reforçaram a percepção de que a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro pelo Planalto segue acirrada.
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Lula com 47,1% das intenções de voto em um segundo turno da disputa presidencial, contra 42,6% de Flávio Bolsonaro -- uma diferença menor que a vista em julho, quando os percentuais eram de 49,2% e 42,9%, respectivamente. A margem de erro é de 1 ponto percentual.
Já a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 46% no segundo turno, contra 45% de Flávio, com os dois em empate técnico já que a margem de erro é de dois pontos percentuais.
No mercado, parte dos agentes avalia que a reeleição de Lula seria um fator negativo para o equilíbrio fiscal. Assim, uma disputa mais acirrada entre Lula e Flávio tem sido percebida como um fator baixista para o dólar.
Às 10h42, o dólar à vista atingiu a cotação mínima intradia de R$5,1611 (-0,67%).
À tarde, com efeitos mais perceptíveis no mercado de renda fixa, o ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão da propaganda eleitoral do empresário Renan Santos (Missão) em sites, blogs e outros aplicativos não informados à Justiça Eleitoral. Ele também barrou repasses do fundo eleitoral e o direito de Renan Santos participar de debates em meios de comunicação, entre outras determinações.
Conforme a decisão, a candidatura de Renan Santos à Presidência contava com dois perfis irregulares nas redes sociais que estavam divulgando conteúdos favoráveis a ele, com milhares de seguidores.
No exterior, o dia também foi de baixa do dólar ante boa parte das demais divisas, ainda que as variações fossem modestas, com as tensões no Oriente Médio novamente no foco. Os Estados Unidos realizaram ataque na ilha iraniana de Larak no fim de semana, enquanto o Irã respondeu disparando contra forças norte-americanas estacionadas na Jordânia.
As ações militares impulsionaram o preço do petróleo Brent para acima dos US$90 o barril -- algo que tende a favorecer o avanço do real, já que o Brasil é exportador da commodity.
Às 17h06, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,23%, a 99,415.
(Edição de Isabel Versiani e Alexandre Caverni)
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.