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Dólar: os fatores que fizeram a moeda norte-americana disparar em 2024

Moeda fechou esta quinta-feira cotada a R$ 5,36; no ano a alta é de 11,42%

13 jun 2024 - 17h07
(atualizado às 17h20)
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O dólar interrompeu uma sequência de altas e fechou em queda nesta quinta-feira, 13.
O dólar interrompeu uma sequência de altas e fechou em queda nesta quinta-feira, 13.
Foto: J. F. Diorio / Estadão / Estadão

Depois de bater R$ 5,40 na véspera, encerrando no maior patamar em 18 meses, o dólar recuou nesta quinta-feira, 13, com os investidores repercutindo as falas dos ministros Fernando Haddad, da Fazenda, e Simone Tebet, do Planejamento, de conter gastos. A moeda norte-americana fechou o dia cotada a R$ 5,36. No entanto, a moeda acumula altas de 1,55% na semana, 3% no mês e 11,42% no ano.

Especialistas do mercado financeiro apontam que, entre os fatores para disparada do dólar no ano, estão o aumento das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), as tensões geopolíticas globais, a situação fiscal no Brasil em declínio, a política monetária agressiva pelos bancos centrais de países desenvolvidos e queda do Brasil na classificação de agências de risco

No cenário externo, André Colares, CEO da Smart House Investments, diz que, se o Fed decidir aumentar as taxas de juros de forma mais agressiva do que o esperado, isso pode tornar os investimentos em dólar mais atraentes, resultando em uma maior demanda pela moeda americana e, consequentemente, sua valorização frente ao real.

“Em tempos de crises globais, como uma nova recessão mundial ou tensões geopolíticas significativas, os investidores tendem a buscar ativos de refúgio seguro, como o dólar americano. Um cenário de aversão ao risco global pode aumentar a demanda por dólares, elevando seu valor frente ao real”, explica ao Terra.

Em relação ao Brasil, qualquer aumento na percepção de risco político ou fiscal, como instabilidades governamentais, problemas na aprovação de reformas ou aumento do déficit fiscal, pode levar investidores a retirar capital do País, buscando a segurança do dólar e pressionando sua cotação para cima.

Fábio Murad, sócio da Ipê Investimentos, destaca que a situação fiscal no Brasil, como a devolução de uma medida provisória que limita a compensação do PIS e Cofins, "gera incertezas sobre como o governo e o Congresso conseguirão arrecadar cerca de R$ 26,3 bilhões para equilibrar as contas em 2024, o que pode desencorajar investidores e pressionar a alta do dólar."

Real desvalorizado frente ao dólar 

O real está entre as dez moedas que mais desvalorizaram frente ao dólar em 2024. Segundo levantamento divulgado na quarta-feira, 12, pela agência classificadora de risco Austin Rating, com base em dados do Banco Central do Brasil (BC), a moeda brasileira ocupa a 7ª posição entre as que mais perderam valor este ano. O real acumula uma queda de 9,5% no ano, até o fechamento dos mercados na terça-feira, 11

No ranking, ao qual o Terra teve acesso, o real só teve desvalorização menor frente à moeda norte-americana que Nigeria (42.8%), Egito (35%), Sudão do Sul (29%), Gana (20,1%), Argentina (10,5%) e Japão (10,1). Além da moeda brasileira, estão entre as dez que mais desvalorizam as moedas da Turquia (8,7%), México (8,1%) e Suíça (6,8%).

O presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin, defendeu nesta quinta-feira o compromisso do governo federal com a responsabilidade fiscal. Alckmin declarou ter "absoluta confiança" de que o dólar voltará a se desvalorizar ante o real, passado o momento atual de turbulência.

"Nós temos absoluta confiança que o dólar vai cair. Isso é coisa momentânea", disse Alckmin após participar do evento do Future Investment Initiative (FII) Institute, organização sem fins lucrativos apoiada pelo fundo soberano da Arábia Saudita, o FIP, e 30 empresas globais, no hotel Copacabana Palace, na zona sul do Rio de Janeiro. 

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Fonte: Redação Terra
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