Dólar opera perto da estabilidade após projeções do BC e dados de inflação
O dólar iniciou a quinta-feira próximo da estabilidade no Brasil, com investidores digerindo projeções atualizadas do Banco Central para indicadores econômicos e novos dados da inflação brasileira, enquanto no exterior a moeda norte-americana passou a exibir baixas nesta manhã ante algumas divisas de países emergentes.
Às 9h51, o dólar à vista subia 0,15%, aos R$5,2082 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para julho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- avançava 0,35%, aos R$5,2130.
Antes da abertura do mercado o BC divulgou seu Relatório de Política Monetária, elevando de 1,6% para 2,0% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, citando a aceleração da atividade, o mercado de trabalho resiliente e as medidas de estímulo do governo.
Já o saldo das transações correntes projetado pelo BC para 2026 passou de déficit de US$58 bilhões para US$56 bilhões (2,1% do PIB). A leve redução do déficit esperado foi resultado, conforme o BC, do aumento do saldo comercial (exportações menos importações) projetado para o ano, na esteira do avanço dos preços do petróleo em função da guerra no Oriente Médio.
Como exportador da commodity, o Brasil tende a ver números melhores na balança comercial quando os preços do petróleo sobem. Por outro lado, o avanço dos preços do petróleo tende a pressionar a inflação.
Às 11h, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, concederá entrevista coletiva sobre o relatório. Os investidores estarão atentos principalmente à abordagem de Galípolo sobre a inflação.
Na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, divulgada na terça-feira, a instituição passou indicações de que a taxa básica Selic não subirá no curto prazo e de que buscará atingir a meta de inflação de 3% apenas no primeiro trimestre de 2028 -- e não no quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária. Para muitos analistas, o discurso do BC demonstra certa leniência com a inflação.
Na abertura da sessão desta quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,41% em junho, desacelerando ante a alta de 0,62% em maio. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam elevação de 0,44% em junho.
No exterior, após exibir ganhos ante as demais divisas na abertura da sessão no Brasil, o dólar passou a ceder ante algumas divisas pares do real, como o rand sul-africano e o peso chileno.
Às 9h39, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- mostrava estabilidade, com leve queda de 0,02%, a 101,580.
Na quarta-feira, a moeda norte-americana à vista fechou com elevação de 0,28% no Brasil, aos R$5,2006.
Às 11h30, o Banco Central realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho.
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