Dólar cai por terceira sessão seguida após Flávio se aproximar de Lula em pesquisa
O dólar recuou 0,91% nesta quarta-feira, cotado a R$ 5,1065, na terceira queda consecutiva, impulsionado pela pesquisa Quaest que apontou empate técnico entre Lula (42%) e Flávio Bolsonaro (41%) no segundo turno. A redução da distância numérica agradou ao mercado financeiro, que desconfia da política fiscal de Lula e prefere alternativas para o controle das contas públicas. O movimento positivo também fez o Ibovespa atingir máximas, enquanto os juros futuros renovaram mínimas na sessão.
O dólar recuou ante o real nesta quarta-feira pela terceira sessão consecutiva, após nova pesquisa eleitoral indicar queda na distância numérica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.
O dólar à vista encerrou o dia com recuo de 0,91%, aos R$5,1065, o menor valor de fechamento desde 7 de agosto, quando marcou R$5,0845.
Nas últimas três sessões, a moeda acumulou baixa de 1,72% e, no ano, tem queda de 6,97%.
Às 17h03, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- cedia 0,96% na B3, aos R$5,1380.
A nova pesquisa Quaest revelou que Lula tem 42% das intenções de voto no segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 41% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicando um empate técnico entre os dois, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Numericamente a distância entre os dois diminuiu de 3 pontos percentuais na pesquisa anterior para 1 ponto agora.
No primeiro turno, Lula tem 37%, Flávio soma 29% e Augusto Cury (Avante) aparece com 10%.
Logo após a divulgação da pesquisa, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) renovaram mínimas, assim como o dólar ante o real, enquanto o Ibovespa atingiu máximas, em uma reação positiva dos agentes.
De modo geral, Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio -- como a redução numérica da distância para Lula -- têm se refletido positivamente nos ativos.
"Independentemente de quem esteja do outro lado, o mercado é mais simpático à candidatura que não seja a do Lula, em função das contas públicas", resumiu o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, citando ainda a disparada da bolsa de ações como um fator favorável à queda do dólar ante o real. "O investidor estrangeiro parece estar voltado para o Brasil", acrescentou.
Após atingir a máxima intradia de R$5,1702 (+0,33%) às 10h15, o dólar à vista marcou a mínima de R$5,0984 (-1,07%) às 13h20, já após a divulgação da pesquisa Quaest.
Durante o dia, os agentes também estiveram atentos aos desdobramentos do noticiário sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo BC.
Flávio é um dos maiores críticos de Moraes, que foi relator no STF do processo de tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Profissionais ouvidos pela Reuters na véspera e nesta quarta-feira afirmaram que um dos pontos centrais será medir o impacto do escândalo envolvendo Moraes nas pesquisas eleitorais.
Bandeira de Lula na campanha, a proposta de fim da escala de trabalho 6x1 foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado durante a tarde e agora segue para o plenário.
Apesar dos recuos recentes do dólar, ao considerarem o cenário mais geral, analistas ouvidos em pesquisa da Reuters avaliaram que, independentemente da vitória de Lula ou de Flávio, a moeda norte-americana deve subir ligeiramente no médio prazo. Em um ano, a previsão mediana é de que o dólar atinja R$5,23. A estimativa foi gerada em consulta a 26 estrategistas de câmbio entre 31 de agosto e 2 de setembro.
No exterior, o petróleo Brent chegou a operar em baixa mais cedo, mas voltou a subir durante a sessão, para acima dos US$95 o barril, em um cenário geopolítico ainda conturbado.
As forças norte-americanas atacaram a costa sul do Irã, que revidou disparando contra bases dos Estados Unidos em todo o Oriente Médio, no maior confronto armado entre os dois países desde julho.
Às 17h10, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,13%, a 99,548.
No fim da manhã, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de outubro. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$3,095 bilhões em agosto até o dia 28.
(Edição de Isabel Versiani)
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