Dólar contraria exterior e fecha em baixa no Brasil
O dólar fechou a quinta-feira em baixa no Brasil e novamente na faixa de R$5,10, na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana se firmou em alta ante a maioria das demais divisas, em meio a novas ameaças do Irã aos EUA.
O dólar à vista encerrou a sessão com queda de 0,44%, aos R$5,1055 na venda. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 6,99%.
Às 17h03, o dólar futuro para setembro -- atualmente o mais líquido -- cedia 0,24% na B3, aos R$5,1390.
Na noite de quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica Selic em 25 pontos-base, para 14,00% ao ano, como era largamente projetado pelos agentes do mercado, sem se comprometer quanto ao que será feito na reunião de setembro. O colegiado indicou que continuará acompanhando a evolução do cenário para só então decidir por um novo corte ou pela manutenção da Selic.
Com a Selic ainda bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, o diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil. Hoje o cenário é um pouco diferente diante da perspectiva de alta de juros nos EUA e da possibilidade de novas baixas no Brasil.
Mesmo com o menor diferencial de juros, o dólar se firmou em baixa no Brasil nesta quinta-feira, na contramão do que se via em outras praças.
"O dólar está ganhando ante alguns pares (do real) no exterior, se recuperando ante as divisas emergentes, mas no Brasil a gente vê queda. Temos exportadores vendendo moeda", comentou no fim da manhã o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
Após atingir a cotação máxima intradia de R$5,1295 (+0,02%) às 9h12, o dólar à vista marcou a mínima de R$5,0903 (-0,74%) às 11h43, para depois se manter pouco acima dos R$5,10.
No exterior, as atenções se voltaram novamente para o Oriente Médio. Enquanto Irã e Omã propuseram um acordo para dar fim à guerra no Oriente Médio, ainda não houve comentário dos EUA sobre a proposta. Ao mesmo tempo, o Irã alertou os países do Golfo Pérsico de que qualquer novo ataque dos EUA ao seu território desencadearia retaliações contra infraestruturas energéticas essenciais em toda a região, segundo cinco fontes ouvidas pela Reuters.
Às 17h10, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,31%, a 99,964.
No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de setembro.
(Edição de Alexandre Caverni)
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