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Dólar sobe ante real em meio às tensões entre EUA e Europa

20 jan 2026 - 17h17
(atualizado às 17h43)
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As tensões entre Estados Unidos e Europa, tendo como pano de fundo o controle da Groenlândia, geraram um movimento global de aversão ao risco nesta terça-feira, que no Brasil se traduziu na alta do dólar ante o real.

O dólar à ‌vista encerrou o dia em alta de 0,29%, aos R$5,3802, depois de ter chegado a oscilar acima dos R$5,40 mais cedo. No ‌ano, a divisa acumula queda de 1,98%.

Às 17h05, o dólar futuro para fevereiro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- subia 0,10% na B3, aos R$5,3940.

Após ter anunciado no fim de semana que pretende aplicar tarifas comerciais a oito países europeus, o presidente norte-americano, Donald Trump, continuou na segunda-feira a pressionar a Europa para que os EUA possam comprar a Groenlândia, hoje ligada à ‍Dinamarca.

Ao tratar de seu desejo pela Groenlândia, Trump afirmou na segunda-feira que já não pensa mais "puramente na paz", evitando dizer se usaria a força para tomar a ilha, mas reiterando a ameaça tarifária. Do outro lado, a União Europeia estuda uma retaliação.

Nesta terça-feira, em um reforço da pressão norte-americana, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse ‌que impor cobranças aos países que se opõem ao controle da Groenlândia por Washington é "um ‌uso apropriado de tarifas" em um contexto geopolítico.

A insistência de Trump na posse da Groenlândia gerou um movimento de fuga dos ativos norte-americanos ("Sell America"), o que incluiu a venda de Treasuries -- com consequente avanço dos rendimentos dos títulos - e de ações em Wall Street.

Nos mercados de moedas, os investidores foram em busca da segurança de divisas como o euro, a libra e o franco suíço, em detrimento do dólar.

Entre as moedas de países emergentes, porém, a busca por segurança se materializou na alta do dólar ante divisas como o real, o peso chileno, o peso mexicano e o peso colombiano.

No Brasil, o dólar à vista foi cotado na máxima de R$5,4090 (+0,83%) às 10h35, em meio às preocupações com o cenário geopolítico.

Na metade da sessão, a notícia de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em Brasília, fez o dólar se reaproximar da estabilidade.

O governador de São Paulo segue como o preferido da Faria Lima para a disputa pelo Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Profissionais ponderaram ainda que a perda de força da moeda norte-americana ante o real também esteve ligada ao fluxo de entrada de recursos no Brasil, onde a bolsa de valores registrou novos recordes.

Na mínima do dia, às 13h12, ‌o dólar à vista marcou R$5,3596 (-0,10%), para depois voltar a ganhar força ante o real, novamente em sintonia com o exterior.

Às 17h17, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- caía 0,48%, a 98,612.

No fim da manhã o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro.

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