Do Exército ao social commerce: conheça Diogo Kobata, à frente de ecossistema que movimentou R$ 500 milhões em vendas
Ex-primeiro-tenente lidera o MVM Group, que reúne criadores, mentores e negócios digitais. Entre os participantes estão uma ex-gerente da Renner que relata R$ 200 mil em comissões e um estudante de engenharia que se tornou mentor aos 22 anos
O ex-tenente do Exército Diogo Kobata fundou o MVM Group, ecossistema de social commerce que já movimentou R$ 500 milhões em vendas ao transformar criadores de conteúdo em canais diretos de distribuição comercial. A operação reúne nove empresas e atua no Brasil e nos EUA, capacitando afiliados de perfis diversos — de ex-gerentes de varejo a estudantes — para vender produtos por meio de vídeos e transmissões, unindo tecnologia, treinamento prático e disciplina na conversão de audiência em vendas.
Durante anos, Diogo Kobata seguiu uma trajetória marcada por disciplina, hierarquia e estabilidade. Chegou ao posto de primeiro-tenente do Exército Brasileiro e se preparou para a carreira na Polícia Federal. Em julho de 2023, porém, decidiu deixar um salário de R$ 8 mil para apostar no mercado digital.
A mudança abriu caminho para a construção do MVM Group, ecossistema que reúne criadores, empresários, tecnologia, produtos e estratégias de distribuição. À frente da operação, Kobata passou a atuar no social commerce, modelo em que vídeos, transmissões ao vivo e recomendações de criadores se tornam canais de venda.
Segundo dados informados pelo grupo, o ecossistema movimentou R$ 500 milhões em vendas, considerando diferentes canais de comercialização, além do TikTok Shop. O montante corresponde ao volume comercializado no ecossistema, não ao faturamento do MVM nem às comissões recebidas pelos afiliados.
Kobata afirma que seu grupo reúne nove empresas e que a estratégia também inclui a atuação de criadores na venda de produtos digitais e aplicativos nos Estados Unidos, comercializados por outra companhia do ecossistema. A proposta é aplicar o conhecimento desenvolvido pelos participantes para vender em diferentes mercados e canais, ampliando a atuação para além do TikTok Shop no Brasil.
Segundo o empresário, essa empresa registrou mais de US$ 4 milhões em faturamento nos últimos quatro meses, com margem bruta superior a 60%, e adicionou US$ 1,3 milhão em receita recorrente.
Por trás desse resultado estão trajetórias distintas. Uma engenheira que construiu carreira no varejo e buscou uma rotina mais flexível após se tornar mãe. Um estudante que começou a explorar a plataforma por gostar de produzir vídeos e acabou se tornando mentor. Histórias que ajudam a explicar quem está entrando nesse mercado e como experiências anteriores podem se transformar em competências para vender pela internet.
Da gestão de lojas à criação de conteúdo
Jessica Pereira Bento, de 35 anos, seguiu durante boa parte da vida o caminho que sua família considerava mais seguro: estudar, entrar em uma boa universidade e construir carreira em uma grande empresa.
Ingressou aos 17 anos em Engenharia de Produção na Universidade Federal do Espírito Santo, fez estágios, participou de um programa de intercâmbio nos Estados Unidos e foi aprovada em um processo de trainee que, segundo seu relato, reuniu mais de 3 mil candidatos para 50 vagas.
Depois, trabalhou durante seis anos como gerente de loja nas Lojas Renner. A experiência trouxe uma rotina intensa, com foco em gestão e entrega de resultados. No final de 2021, entretanto, começou a perceber que aquela carreira já não correspondia ao estilo de vida que desejava.
Ao conhecer o marido, que trabalhava em home office, passou a buscar maior flexibilidade de horários e a possibilidade de trabalhar de diferentes lugares. Segundo Jessica, essa liberdade foi sua principal motivação para entrar no digital, antes mesmo da perspectiva de aumentar a renda.
A chegada da filha, Helena, em fevereiro de 2026, ampliou seus objetivos. Já com experiência no mercado digital, decidiu apostar em um novo projeto de vendas.
"Desejei muito no meu coração encontrar uma 'nova onda', um movimento forte que estivesse no início, e meu comprometimento seria executar com toda minha dedicação e ver onde isso poderia chegar", relata.
Jessica afirma ter acumulado R$ 200 mil em comissões nos quatro meses seguintes à sua primeira venda nesse projeto. O valor corresponde à remuneração recebida pelas vendas realizadas, e não ao volume total comercializado.
Sua trajetória aproxima dois ambientes que podem parecer distantes: a gestão de uma loja física e a venda por conteúdo. Conhecimento de produto, entendimento do consumidor e disciplina de execução continuam presentes, embora a vitrine e a forma de abordar o público tenham mudado.
Aos 22 anos, de afiliado a mentor
Nícolas, conhecido na internet como Nick, chegou ao social commerce por outro caminho. Aos 22 anos, cursa Engenharia de Sistemas e conta que sempre gostou de produção e edição de vídeos, mas não havia transformado esse interesse em trabalho.
No início de 2025, ao descobrir que o TikTok Shop chegaria ao Brasil, enxergou a possibilidade de ganhar dinheiro com atividades que já gostava de realizar: montar, gravar e editar conteúdo.
Começou a estudar a plataforma por conta própria e a vender como afiliado. Com os primeiros resultados, passou também a documentar sua experiência, publicando vídeos sobre os testes que fazia e o que funcionava em sua operação.
Segundo Nick, nos dois primeiros meses dessa produção de conteúdo, foi convidado pelo MVM para atuar como mentor.
Desde então, passou a ensinar participantes em diferentes estágios, de quem está tentando realizar a primeira venda a quem busca consolidar uma atividade profissional na plataforma.
Nick atribui ao trabalho desenvolvido com seus alunos mais de R$ 30 milhões em vendas para marcas parceiras da comunidade, com mais de R$ 4,5 milhões em comissões distribuídas entre os participantes. Os números são informados pelo mentor e representam, respectivamente, volume vendido e remuneração dos afiliados.
"Desde que entrei, tive a oportunidade de trabalhar em diferentes frentes, e hoje vivo 100% da internet", afirma.
O percurso mostra outra possibilidade dentro desse mercado: o criador que começa vendendo produtos e, a partir da experiência acumulada, passa a trabalhar também com formação e acompanhamento de outras pessoas.
O criador como canal de vendas
A lógica defendida por Kobata parte de uma mudança no papel dos influenciadores. Em vez de enxergar o criador somente como alguém contratado para divulgar uma marca, o empresário o trata como um canal capaz de apresentar produtos, demonstrar seu uso e gerar vendas.
"A marca que entende esse movimento não olha para o creator apenas como publicidade. Ela olha como canal. Quando existe treinamento, comunidade e tecnologia por trás, o creator passa a fazer parte da estratégia de crescimento da empresa", afirma Kobata.
Esse pensamento orienta o MVM Creators, comunidade voltada ao desenvolvimento de pessoas interessadas em criação de conteúdo, programas de afiliados, transmissões de venda e comercialização de produtos físicos e digitais.
No comércio eletrônico tradicional, o consumidor costuma procurar um produto e comparar ofertas. No social commerce, a descoberta também pode acontecer enquanto ele assiste a um vídeo ou acompanha uma transmissão. O conteúdo apresenta o produto e pode conduzir à compra dentro da própria plataforma.
Nesse ambiente, a experiência de uma ex-gerente de varejo e a habilidade de um estudante com produção audiovisual encontram aplicações diferentes. A primeira traz repertório de gestão e vendas. O segundo transforma testes práticos em conteúdo e ensino.
Os relatos, entretanto, descrevem resultados individuais. Não permitem concluir que outros participantes terão o mesmo desempenho, nem que a entrada na plataforma garante renda. A atividade depende de fatores como escolha de produtos, qualidade do conteúdo, frequência de publicação e capacidade de converter atenção em compras.
A disciplina depois da carreira militar
A trajetória de Kobata conecta essas experiências à construção de uma operação empresarial. Ao deixar o Exército, passou de uma carreira com estrutura definida para um mercado em que produtos, formatos e estratégias precisam ser ajustados continuamente.
A disciplina permaneceu como parte de seu discurso, agora aplicada à organização de uma comunidade de criadores e ao desenvolvimento de canais de distribuição.
"Isso mostra que o criador deixou de ser apenas alguém que publica conteúdo e passou a ser uma força real de distribuição, aquisição de clientes e geração de vendas para as marcas", afirma.
Em pouco mais de três anos, o ex-militar passou a liderar um ecossistema que, segundo os dados apresentados pelo MVM, movimentou R$ 500 milhões em vendas em diferentes canais. Os relatos de Jessica Pereira Bento e Nick dão uma dimensão humana a esse número: pessoas com formações e experiências diferentes que encontraram no conteúdo uma nova atividade profissional.
É nesse encontro entre comunicação, demonstração de produtos e venda que Kobata concentra sua aposta para o crescimento do grupo.
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