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Diretor do BC nega ter recomendado ao BRB compra de papéis do Master e abre registros de conversas

BC divulgou nota após jornal 'O Globo' afirmar que Ailton de Aquino teria pedido ao então presidente do BRB que comprasse carteiras de crédito consignado do Master, depois expostas como fraudulentas

23 jan 2026 - 10h34
(atualizado às 11h06)
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BRASÍLIA - O Banco Central declarou, em nota, que o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, afirma que "jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas" do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Ainda segundo o comunicado, Aquino colocou o registro de suas conversas com o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.

"Imbuído de seu compromisso com a transparência e cioso de suas responsabilidades como servidor público e como cidadão, o diretor Ailton de Aquino coloca à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal suas informações bancárias, fiscais e dos registros das conversas que realizou com o ex-Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, renunciando, para essa finalidade, ao sigilo sobre elas incidente", informa o BC.

A nota foi divulgada em resposta à notícia publicada pelo jornal O Globo, que afirmou, com base em relatos e mensagens obtidos pela reportagem, que o diretor teria pedido ao então presidente do BRB que adquirisse carteiras de crédito consignado do Master, depois expostas como fraudulentas.

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino
Foto: Pedro França/Agência Senado / Estadão

No comunicado, o BC enfatiza que a área de supervisão da autarquia, sob o comando de Aquino, foi responsável por identificar inconsistências nas referidas operações, "tendo, de imediato, promovido rigorosas investigações, que levaram à demonstração da insubsistência dos ativos integrantes de tais carteiras". Emenda que foi desta mesma área a iniciativa de promover a comunicação dos ilícitos criminais ao MPF, acompanhada de documentação comprobatória e análises técnicas.

"Na sequência, com o objetivo de prevenir a prática de novas operações com impactos sobre a liquidez do BRB, a área de supervisão, sob orientação do mesmo diretor, aplicou medida prudencial preventiva ao BRB, sendo do próprio diretor, por fim, a iniciativa de submeter à Diretoria Colegiada do Banco Central a proposta de liquidação extrajudicial das instituições do conglomerado Master, em razão, inclusive, dos ilícitos nelas perpetrados", acrescenta.

O BC afirma que compete a cada instituição financeira, conforme a legislação em vigor, "a exclusiva e integral responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos que adquire em mercado, devendo manter os procedimentos e controles internos necessários para o adequado gerenciamento dos riscos de seus negócios".

Diz também que a autarquia tem obrigação legal de acompanhar permanentemente as condições de liquidez, inclusive aquisições de ativos entre instituições financeiras, visando assegurar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e resguardar os interesses dos depositantes, investidores e demais credores. Pontua que, no exercício desse mandato, a área de supervisão rotineiramente monitora riscos e busca soluções para eventuais problemas de liquidez que venham a ser identificados em toda e qualquer instituição financeira.

Estadão
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