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Diferença entre exportações da China para EUA e o registrado por alfândega americana soma US$ 112 bi

Reportagem da Bloomberg mostra que discrepância levanta dúvidas sobre eficácia das tarifas de Trump e pode estar ligada à evasão tarifária, fenômeno que se intensificou desde a primeira guerra comercial de Trump

26 fev 2026 - 16h43
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Cerca de um quarto do que a China exportou para os Estados Unidos no ano passado passou despercebido pelas tarifas alfandegárias de Donald Trump, segundo reportagem da Bloomberg. Dados comerciais reforçam as suspeitas: no ano passado, houve uma diferença recorde de US$ 112 bilhões entre o que a China declarou exportar aos EUA e o que foi registrado pela alfândega americana como importado.

Segundo a Bloomberg, estimativas indicam que parte relevante dessa discrepância pode estar ligada à evasão tarifária, fenômeno que se intensificou desde a primeira guerra comercial de Trump e que levanta dúvidas sobre a eficácia das tarifas para revitalizar a indústria americana.

O aumento indica que a elevação das tarifas estimulou a formação de uma economia paralela baseada em esquemas logísticos para driblar a cobrança de impostos de importação, diz a Bloomberg.

Empresários americanos têm recebido mensagens por WhatsApp e e-mail oferecendo transporte de mercadorias da China para os EUA com tarifas "incluídas" a preços suspeitamente baixos, sugerindo esquemas para driblar as sobretaxas impostas pelo presidente Donald Trump, segundo reportagem da Bloomberg.

Para os empresários, a evasão é mais prejudicial do que as próprias tarifas, pois distorce a concorrência e ameaça empresas que cumprem as regras.

Entre os principais mecanismos usados está o modelo Delivered Duty Paid (DDP), no qual o vendedor estrangeiro assume envio e desembaraço aduaneiro. Embora legal em si, o esquema pode envolver subfaturamento, classificação incorreta de mercadorias e uso de empresas de fachada como importadoras registradas. Essas estruturas, muitas vezes criadas rapidamente e depois abandonadas, dificultam a responsabilização e permitem que concorrentes ofereçam preços até 20% mais baixos.

O governo americano afirma estar intensificando a fiscalização, com força-tarefa contra fraudes, programas de denúncia e uso de inteligência artificial para monitorar cadeias globais. Ainda assim, limitações de jurisdição, realocação de recursos para outras áreas e brechas legais tornam o combate lento e complexo. Enquanto investigações podem levar anos, empresas que seguem as regras relatam perda de mercado e desvantagem competitiva persistente.

Estadão
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