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Crise no Brasil vai piorar antes de melhorar, afirma FT

Jornal rebate o argumento da presidente Dilma Rousseff responsabilizando a crise econômica internacional por dificuldade econômicas do país

23 mar 2015
06h50
atualizado às 10h02
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Jornal discorda da presidente Dilma Rousseff
Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

A crise econômica no Brasil ainda irá se agravar antes de melhorar e grande parte dos problemas foi criada pelo próprio País, disse o jornal britânico Financial Times (FT) em editorial nesta segunda-feira.

O jornal rebate o argumento da presidente Dilma Rousseff responsabilizando a crise econômica internacional por dificuldade econômicas do País: "O governo, que está no poder há 12 anos, tem culpado fatores externos. Mas a bagunça foi, em grande parte, feita pelo próprio Brasil". "A crise no Brasil é ruim e provavelmente piorará antes de melhorar", disse.

O FT compara o País a Chile, Colômbia e Peru, "economias mais orientadas ao mercado" e que puderam tirar proveito do mesmo boom de commodities e crédito como o Brasil nos anos 2000, "mas sem a mesma ressaca".

"Na verdade, (o Brasil) estava montado nos esteroides do boom de crédito em que colheu os benefícios da globalização sem qualquer de suas disciplinas. Agora o processo está se revertendo", diz o editorial. "Grande parte da culpa (pelos problemas) é do próprio Brasil".

O texto cita a possibilidade da economia brasileira recuar neste e no próximo ano, "o pior desempenho desde 1931"; a queda na popularidade de Dilma, "a menor já registrada"; a desvalorização do real frente o dólar e o aumento dos juros para conter a inflação.

Destaca, também, a crise na Petrobras e os protestos recentes pelo país, incluindo o aumento de pedidos pelo impeachment de Dilma, "mesmo que improvável".

"Mas nem tudo é ruim para o Brasil", finaliza o texto, ao dizer que o país está longe de retornar à hiperinflação e que as instituições, especialmente o Judiciário, se mantêm fortes, citando o caso do Mensalão e as investigações da Operação Lava Jato envolvendo a Petrobras.

O editoral afirma que "as coisas poderiam ser piores" e usa o "clichê país do futuro" para dizer que o Brasil ainda tem perspectivas promissoras.

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