Contas do governo têm rombo de R$ 92,2 bi no 1º semestre de 2026, maior déficit desde 2020
Segundo o Tesouro, saldo negativo foi puxado pela antecipação do pagamento de precatórios, o que elevou as despesas no período
BRASÍLIA - As contas do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registraram um déficit primário de R$ 92,227 bilhões no primeiro semestre deste ano, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira, 27
O resultado é o pior para o período desde 2020 e o segundo maior déficit da série histórica, iniciada em 1997. No mesmo período de 2025, o resultado foi negativo em R$ 11,277 bilhões, sem correção pelo IPCA.
Nos primeiros seis meses este ano, as despesas tiveram alta real (descontada a inflação) de 12,3%, enquanto as receitas totais subiram 5,2% acima da inflação.
De acordo com o governo, o resultado se deu, sobretudo, pela com a antecipação no cronograma de pagamento de precatórios (dívidas judiciais da União), aumentando o volume de despesas.
"Essa diferença entre o acumulado do ano de 2026 para 2025 tem muito a ver com a questão dos precatórios, que neste ano foram pagos em março, sendo que em 2025 foram pagos em julho", afirmou o secretário do Tesouro Nacional substituto, David Athayde. "Além do que, temos aí uma antecipação de algumas despesas discricionárias, que por conta do calendário eleitoral acabaram tendo um pagamento mais forte no primeiro semestre comparado com o semestre do ano anterior."
No acumulado de 12 meses até junho, o déficit soma R$ 144,1 bilhões, o equivalente a 1,08% do Produto Interno Bruto (PIB). As despesas obrigatórias somam 17,76% do PIB, e as discricionárias (não obrigatórias, como custeio e investimentos), 1,89%.
A meta fiscal de 2026 é de superávit primário de 0,25% do PIB, com tolerância de 0,25 ponto porcentual para mais ou para menos.
No Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do terceiro bimestre, o governo aumentou a estimativa de superávit primário de 2026 - já considerando as exceções para o cumprimento da meta - de R$ 4,1 bilhões, estimado no segundo relatório, para R$ 10,8 bilhões. Ao deduzir R$ 62,8 bilhões de exceções, o resultado esperado para o ano é negativo em R$ 52 bilhões.
Receita com dividendos teve forte queda no 1º semestre, mas governo espera recuperação
Athayde disse que receitas com dividendos devem ser um pouco maiores que no ano passado, apesar da redução expressiva no primeiro semestre deste ano.
No acumulado do ano, os dividendos caíram R$ 14,477 bilhões, 58% a menos que no primeiro semestre do ano passado.
"Acho que a grande explicação é que boa parte mesmo dos pagamentos previstos estão mais projetados para correr no final do ano e mais no último trimestre. Então, é mais uma questão de calendário do que mesmo uma ilustração de alguma diferença dentro mesmo da previsão para o ano. Só para deixar claro que a receita deve até aumentar em relação ao ano anterior", afirmou.
Athayde afirmou ainda que pode haver mudança de comportamento de algumas empresas, como a Petrobras, mas que a ideia é que essa receita se recupere no segundo semestre. A previsão de receitas com essa rubrica é de R$ 55,487 bilhões.
Déficit no mês de junho
O governo central registrou déficit primário de R$ 48,178 bilhões em junho, após um resultado negativo de R$ 53,257 bilhões em maio. O saldo negativo foi maior do que o registrado em junho de 2025, quando o déficit foi de R$ 44,216 bilhões. Esse foi o pior resultado para meses de junho desde 2023, quando houve déficit de R$ 51,640 bilhões.
As despesas do governo central cresceram 9% em junho, na comparação com o mesmo mês de 2025, já contabilizando a inflação do período. As receitas totais tiveram alta real de 10,2%, na mesma base de comparação.
No mês passado, a arrecadação do governo com impostos e contribuições federais somou R$ 264,437 bilhões, o maior resultado para meses de junho desde 2000, segundo dados da Receita Federal.
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