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Conta de luz: Aneel mantém bandeira amarela em junho, com adicional; entenda

Agência diz que as condições de geração de energia tiveram piora devido à redução de chuva, que põe para abaixo da média o volume nos reservatórios das hidrelétricas

26 jun 2026 - 16h56
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BRASÍLIA - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou, nesta sexta-feira, 29, que manterá amarela a bandeira tarifária no mês de junho, com adicional na conta de luz. Nesse nível, os consumidores de energia elétrica terão custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

No início deste mês, o acionamento da bandeira amarela foi feito após o volume de chuva ficar abaixo da média, com projeções que já apontavam nesse sentido. Agora, a reguladora informou que as condições de geração tiveram uma piora devido à redução das chuva em todo o País.

A cor da bandeira tarifária indica se haverá adicional na conta de luz, e de quanto
A cor da bandeira tarifária indica se haverá adicional na conta de luz, e de quanto
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil / Estadão

A bandeira tarifária em junho poderia ficar em vermelha patamar 1, o que corresponde a um custo adicional de R$ 4,463 para cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos, segundo projeções prévias da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

De janeiro a abril deste ano, a bandeira tarifária permaneceu verde, tendo vista as condições favoráveis à geração de energia no País. A possibilidade de El Niño no segundo semestre deste ano, com seu efeito no aumento das temperaturas e redução da chuva no Norte e Nordeste do País, reforça essa perspectiva de bandeiras tarifárias mais caras ao longo do ano.

"O anúncio ocorre devido ao período seco no Brasil, o que leva a uma geração hidrelétrica menor e ao acionamento de usinas termelétricas, com custo mais elevado", disse a Aneel, em nota.

O volume de chuva em março passado esteve em nível considerado satisfatório. Houve um aumento no volume em fevereiro, resultando na elevação do nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas.

Em janeiro, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) anunciou um conjunto de ações consideradas preventivas para o atendimento eletroenergético de 2026, tendo em vista os alertas sobre armazenamento de hidrelétricas.

Federação das Indústrias de MG manifesta preocupação

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) afirma, em nota, considerar positiva, mas ainda preocupante, a decisão da Aneel de manter a Bandeira Tarifária Amarela no mês de junho. "Embora o cenário seja menos crítico que o das bandeiras vermelhas, a cobrança adicional demonstra que o sistema elétrico brasileiro continua pressionado pela redução das chuvas e pelo avanço do período seco", diz.

Para o coordenador de Mercado de Energia da Fiemg, Sérgio Pataca, o cenário exige atenção nos próximos meses. "O sistema elétrico brasileiro já sente os efeitos da redução das chuvas e da piora das condições hidrológicas. A manutenção da bandeira amarela demonstra que o custo de geração aumentou e exige atenção diante da aproximação do período seco mais intenso", afirma.

Segundo Pataca, mesmo sendo menos onerosa, a bandeira amarela funciona como um alerta para consumidores e empresas. "O País ainda possui reservatórios em condições razoáveis, mas a evolução do cenário dependerá diretamente do comportamento das chuvas e da necessidade de acionamento das termelétricas nos próximos meses", destaca.

O especialista também chama atenção para o impacto adicional do reajuste tarifário da Cemig em Minas Gerais. "Além da manutenção da bandeira amarela, os consumidores mineiros atendidos pela Cemig sentirão os efeitos do reajuste tarifário médio de 6,5% aprovado para a distribuidora. Mesmo em um cenário menos severo, o aumento da tarifa continuará pressionando o orçamento das famílias e os custos das empresas", explica.

A Fiemg acompanha o cenário com atenção e reforça a importância de medidas estruturantes que ampliem a segurança energética, reduzam a volatilidade tarifária e garantam maior previsibilidade dos custos de energia para consumidores e para o setor produtivo mineiro.

Como é definida a bandeira tarifária

Além do risco hidrológico (GSF), gatilho para o acionamento das bandeiras mais caras, outro fator de peso é o aumento do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) — valor calculado para a energia a ser produzida em determinado período.

Criado em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias indica aos consumidores os custos da geração de energia no País e visa atenuar os impactos nos orçamentos das distribuidoras de energia.

Antes, o custo da energia em momentos de mais dificuldades para geração era repassado às tarifas apenas no reajuste anual de cada empresa, com incidência de juros. No modelo atual, os recursos são cobrados e transferidos às distribuidoras mensalmente por meio da "conta Bandeiras".

Estadão
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