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Consultoria refaz contas e salário de executivo no Brasil sobe 25%

Segundo estudo da KPMG, a média anual paga a diretores aumentou de R$ 1,9 milhão para R$ 2,4 milhões com a inclusão de empresas que se recusavam a entregar dados sobre remuneração

10 jan 2019
04h11
atualizado às 16h29
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Com a decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região que obrigou as empresas de capital aberto a divulgarem a remuneração de seus diretores e conselheiros, a consultoria KPMG refez os cálculos dos rendimentos dos principais executivos no Brasil, revelando que a média de R$ 1,888 milhão paga em 2017 a diretores foi a R$ 2,4 milhões com a inclusão dos novos dados, uma alta de 25%.

Antes da decisão em segunda instância, em junho do ano passado, muitas empresas alegavam que a divulgação dos valores prejudicava o direito à privacidade de seus administradores e, amparadas por uma liminar, não forneciam os dados. Com o acesso às novas informações, a KPMG refez a análise dos dados de mais de 200 empresas, obtida com exclusividade pelo Estado.

"A comparação do resultado deixou muito claro que quem não queria mostrar (os dados) tinha remunerações mais altas do que a média", afirma o sócio da KPMG Sidney Ito, para quem a maior transparência tende a aumentar o controle dos acionistas sobre esses valores. Entre as principais vantagens do acesso aos dados, avalia Ito, estão a capacidade que o mercado ganhou de avaliar se a remuneração dos executivos condiz com os resultados entregues por eles, bem como comparar os valores pagos a concorrentes nos mesmos segmentos.

Em 2018, a média da remuneração alcançou R$ 2,611 milhões, alta um pouco maior do que 10% ante o ano anterior. Como comparação, no ano passado, a valorização do Ibovespa, principal índice de ações do País, foi de 15% e a expectativa para inflação marcada pelo IPCA é que ela tenha se mantido abaixo de 4%.

Para o especialista em governança corporativa, a publicação dos dados é um avanço, mas ainda é possível evoluir mais nesse campo. Atualmente, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determina que as companhias publiquem o valor máximo, mínimo e a médio pagos a seus executivos. Não é preciso identificar quem recebe esses valores. Nos Estados Unidos, compara Ito, a exigência é maior: as companhias lá devem informar quanto ganha cada diretor e conselheiro, assim como quanto é a remuneração em relação ao salário dos outros profissionais da empresa.

"Quem vai dizer se o grau de transparência está suficiente ou não será o próprio investidor, que é quem precisa das informações para tomar decisões. Mas acho que vai melhorar porque o ativismo tem aumentado", diz Ito.

Política de remuneração

A pesquisa também indica a consolidação da remuneração variável (que vem de bônus e ações, por exemplo) dentro da política de remuneração das empresas. Entre diretores de companhias que fazem parte do Novo Mercado, segmento de maior exigência de práticas de governança corporativa da B3, esse tipo de rendimento representou 41% do total recebido em 2018.

"A remuneração variável é uma realidade no Brasil e vem crescendo nos últimos anos. Praticamente todas as empresas, exceto algumas públicas, pagam dessa maneira hoje", conta Sidney Ito. O cuidado que as companhias devem ter nesse caso, ele explica, é basear esse pagamentos em uma combinação de metas de curto e longo prazo. "Se não for assim, a preocupação tende a ser de apenas entregar o resultado do ano, sem olhar o futuro da empresa". Como exemplo, ele lembra da capacidade de inovação nos negócios. "Mesmo com um produto de muita rentabilidade, o executivo deve se preocupar com pesquisa e desenvolvimento. Isso deve ser componente de avaliação".

A reportagem entrou em contato, mas ainda não recebeu posicionamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), que havia conseguido a liminar para não divulgar os dados de remuneração.

Estadão
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