Como o Google X está sendo usado para dar mais eficiência à rede elétrica do Rio de Janeiro
Iniciativa com técnicas de IA apoiará a distribuição da Light para identificar defeitos, antever ocorrências e entender a real localização dos ativos do sistema, conta executiva no Energy Summit
RIO - O Google X está iniciando um projeto para trazer maior visibilidade sobre a rede elétrica do Rio de Janeiro. De acordo com a General Manager da Tapestry, Page Crahan, a iniciativa que combina técnicas de inteligência artificial teve avanços importantes nos últimos meses e vai agora apoiar a concessão de distribuição da Light para identificar defeitos, antever ocorrências e entender a real localização dos ativos do sistema.
A executiva também sinalizou o começo de um trabalho para trazer dados de qualidade para embasar a criação de novas redes, com áreas que possuem capacidade de sobra e que poderiam absorver demanda ou geração de energia. "Esses mapas fazem poderosas simulações para informar decisões de investimento e capital", disse a especialista durante painel da tarde desta terça-feira, 23, no Energy Summit 2026, no Rio de Janeiro.
Page relatou que a ferramenta digital GridAware foi utilizada nos últimos cinco anos para ajudar na gestão das redes da Nova Zelândia. Entre os principais destaques, foi percebido um aumento de 221% na visibilidade de equipamentos. Já as inspeções computaram aceleração de cinco vezes, passando da média de 40 minutos para cinco minutos com a plataforma digital que processa técnicas de aprendizado de máquina (machine learning).
"Antes os operadores (Nova Zelândia) sabiam que existia um transformador num poste de luz, mas não sabiam sobre as questões de ilhamento", comentou a executiva. No caso, a ferramenta processa petabytes de informações para criar modelos digitais integrados da rede, permitindo prever demandas de carga, realizar simulações econômicas imediatas e antecipar falhas, otimizando o fluxo de energia em tempo real.
"Estamos animados com as alternativas baseadas na física, com o machine learning aplicado ao mundo construído e com equações diferenciais, já que estamos falando de matemática", acrescenta Page Crahan. Agora o projeto avança na área de distribuição da Light e outras regiões do mundo, na concepção de que as soluções da transição energética podem ser adaptadas de uma região para outra.
Rio AI City pretende transformar cidade em polo mundial
Desenvolvida pela X, The Moonshot Factory (a incubadora de projetos inovadores da Alphabet, dona do Google), a Tapestry anunciou sua entrada no Brasil em novembro passado, por meio do projeto Rio AI City. O objetivo é transformar a capital fluminense em um dos dez maiores polos mundiais de inteligência artificial e economia digital até 2032. A iniciativa começou com uma parceria entre a prefeitura do Rio de Janeiro e a empresa Elea Data Centers, que agora se estende a outros agentes como a Axia Energia e o Google X.
Com uma previsão de investimentos que somam cerca de US$ 65 bilhões ao longo de uma década, a ideia é mudar o perfil econômico da cidade, consolidando-a como o principal epicentro de conectividade, tecnologia e logística digital do Sul Global. O complexo está sendo implantado na região do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, aproveitando áreas e estruturas remanescentes das Olimpíadas de 2016.
Entre as principais entregas está a construção de um campus de data centers dedicados a abrigar supercomputadores para o treinamento de modelos de IA e cargas de computação em nuvem. Para sustentar essa operação, a infraestrutura contará na primeira fase com uma capacidade energética de 1,5 gigawatts (GW). E escalável para até 3,2 GW nas etapas seguintes, impulsionada por um aporte inicial de US$ 550 milhões anunciado pela Elea.
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