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Comercializadoras de energia veem com preocupação rombo da Tradener e possível efeito-cascata

10 abr 2026 - 15h06
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O mercado ‌brasileiro de comercialização de energia elétrica está preocupado com um potencial efeito-cascata de uma inadimplência da Tradener, empresa tradicional e uma das pioneiras no segmento, que obteve nesta semana proteção judicial contra execuções de dívidas enquanto realiza uma mediação com credores envolvendo R$5,4 bilhões em contratos de energia.

A cautelar da Tradener, concedida pela Justiça na quinta-feira, é mais um episódio da "pior crise da história" ⁠do segmento, segundo Rodrigo Ferreira, presidente da associação dos comercializadores Abraceel, que disse ver forte retração ‌do trading de energia após a quebra de casas renomadas como a Gold nos últimos anos.

"Esse caso vai provavelmente acarretar problemas para outras empresas, é um repasse do problema. A gente ‌vê esse efeito-cascata como algo muito perigoso", disse Ferreira, às ‌margens do evento Latam Energy Week, no Rio de Janeiro.

Os problemas financeiros da Tradener, ⁠que nasceu há 28 anos como uma comercializadora de energia e expandiu sua atuação para negócios como geração e exportação de energia, despertaram preocupação na véspera entre os agentes do setor elétrico, que destacam a perspectiva de um rombo de R$5 bilhões no mercado.

No pedido de cautelar, visto pela Reuters, a Tradener cita um saldo de créditos de R$5,4 bilhões na mediação em curso com ‌seus credores, que são os compradores da energia negociada pela empresa.

Não está claro se esta é uma ‌posição líquida da Tradener, incluindo ⁠compras e vendas de ⁠energia. A comercializadora está adimplente com suas obrigações regulatórias, conforme os registros da Câmara de Comercialização de Energia ⁠Elétrica (CCEE).

Na lista de envolvidos na mediação da Tradener, constam ‌diversos tipos de consumidores de energia, ‌desde redes de supermercados e cooperativas agrícolas até grandes empresas de alimentos e celulose, além de outras grandes comercializadoras e geradoras de energia elétrica.

Procurada, a Tradener disse entender que, como o processo envolve outras partes, "por um posicionamento jurídico, prefere não comentar nesse momento resoluções ⁠que ainda não foram definidas com o mercado".

"DESARRANJO" NO SETOR ELÉTRICO

Agentes enxergam nos problemas recentes das comercializadoras de energia um "desarranjo" mais amplo do setor elétrico brasileiro, com dificuldades enfrentadas também no lado dos geradores, que sofrem com cortes elevados de produção das usinas e risco hidrológico mais alto.

"As coisas vão se acumulando e as crises vão ‌cada vez mais atingindo mais gente", avaliou Ferreira, da Abraceel.

Para uma fonte, que pediu para não ser identificada, os casos recentes de quebradeira de comercializadoras tornam cada vez mais necessárias as ⁠melhorias na segurança de mercado, com estabelecimento de regras mais duras para se operar na comercialização de energia.

Já uma pessoa ligada a uma grande geradora avaliou que o problema da Tradener "afeta muito a credibilidade do mercado e gera instabilidade".

"É o tipo de coisa que não pode passar em branco, porque se vira moda, é dor de cabeça", disse.

Várias empresas do setor elétrico estão deixando de atuar com trading de energia no Brasil diante de um aumento de riscos nessas operações, relacionados tanto a crédito quanto à maior volatilidade dos preços, enquanto uma retração das vendas de energia por parte dos geradores também diminuiu a liquidez para boa parcela das comercializadoras.

Na véspera, executivos da Axia Energia e da Engie afirmaram que as grandes geradoras precisam operar com contingências e nível de conservadorismo maior diante do cenário geopolítico conturbado, o que tem se refletido na estratégia de comercialização dessas empresas.

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