Chefes de Finanças dos Brics pedem reforma das instituições financeiras globais de desenvolvimento
Chefes de Finanças dos Brics defenderam uma reforma em órgãos como FMI e Banco Mundial para ampliar a representatividade de economias emergentes. Reunidos antes da cúpula na Índia, os líderes criticaram tarifas unilaterais que distorcem o comércio global, em meio à alta do petróleo por tensões envolvendo o Irã. O grupo também cobrou avanços na interoperabilidade de pagamentos transfronteiriços rápidos e seguros, enquanto a Índia deve propor a integração de moedas digitais entre os membros.
Os ministros das Finanças e os presidentes dos bancos centrais dos países dos Brics defenderam uma reforma das instituições financeiras globais de desenvolvimento, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, buscando dar mais voz às economias de mercados emergentes.
"Com a crescente participação das economias de mercado emergentes e em desenvolvimento na produção e no crescimento globais, a reforma da governança econômica global continua sendo uma prioridade constante dos Brics", afirmaram os ministros das Finanças dos países dos Brics em uma declaração conjunta divulgada na noite de quinta-feira.
"Continuaremos a fortalecer a coordenação entre os membros dos Brics para tornar as instituições financeiras internacionais mais representativas, transparentes e responsáveis", afirmaram.
A Índia sediará a Cúpula de Líderes dos Brics neste fim de semana, com a presença prevista de líderes da Rússia, da China e do Irã. A cúpula em Nova Délhi ocorre mais de seis meses após os EUA e Israel terem lançado ataques contra o Irã, membro dos Brics desde 2024.
O aumento dos preços do petróleo como resultado do conflito aumentou a pressão sobre as economias emergentes, que também sentiram o impacto da volatilidade nas tarifas comerciais impostas pelos EUA.
"Continuamos a ter sérias preocupações com a imposição unilateral de medidas relacionadas ao comércio e às finanças, incluindo o aumento de tarifas e medidas não tarifárias, que distorcem o comércio e são incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio", afirmou o comunicado dos ministros das Finanças.
Embora reconheçam o trabalho realizado pela força-tarefa de pagamentos dos Brics, os chefes de Finanças pressionaram por avanços na garantia de maior interoperabilidade dos sistemas de pagamento entre os países membros.
"Incentivamos a Força-Tarefa de Pagamentos dos Brics a dar continuidade às discussões, com base no trabalho em andamento, para facilitar soluções práticas para pagamentos transfronteiriços entre os países dos Brics, que sejam rápidos, de baixo custo, mais acessíveis, eficientes, transparentes e seguros", afirma a declaração.
A Índia pressionará por avanços na integração das moedas digitais entre os países dos Brics, disseram duas fontes a par das discussões à Reuters nesta semana.
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