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Chefe do FMI prevê que guerra provocará demanda de até US$50 bilhões em apoio do Fundo

9 abr 2026 - 11h54
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A chefe do Fundo Monetário ‌Internacional, Kristalina Georgieva, disse nesta quinta-feira que o credor global prevê que a demanda de curto prazo por apoio financeiro do FMI aumentará entre US$20 bilhões e US$50 bilhões como resultado das repercussões da guerra no Oriente Médio.

Georgieva disse que a guerra está testando a economia global, com um corte de 13% ⁠no fluxo diário de petróleo do mundo e de 20% no de gás ‌natural liquefeito, desencadeando um choque de oferta que fez com que os preços da energia disparassem, ao mesmo tempo em que interrompe as cadeias de ‌fornecimento.

Em comentários preparados antes das reuniões da próxima ‌semana do FMI e do Banco Mundial, Georgieva disse que a ⁠guerra levou o Fundo a cortar sua previsão de crescimento global, ecoando uma mensagem que ela compartilhou com a Reuters na segunda-feira.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na terça-feira um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, mas o bombardeio contínuo de Israel ao Líbano ameaça inviabilizar as negociações para ‌forjar uma paz permanente.

"Mesmo na melhor das hipóteses, não haverá um retorno puro e ‌simples ao status quo ⁠ante", disse Georgieva. O ⁠complexo Ras Laffan do Catar, que produz 93% do GNL do Golfo Pérsico, por exemplo, ⁠está fechado desde 2 de março ‌e pode levar de três ‌a cinco anos para voltar à capacidade total.

"O fato é que não sabemos realmente o que o futuro reserva para a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, nem, por sinal, para a recuperação do tráfego ⁠aéreo na região", acrescentou ela. "O que sabemos é que o crescimento será mais lento, mesmo que a nova paz seja duradoura."

O conflito, que começou em 28 de fevereiro, terá efeitos em cascata por algum tempo, disse Georgieva, incluindo o fechamento de refinarias de petróleo ‌e a escassez de produtos refinados que estão prejudicando o transporte, o turismo e o comércio.

Outras 45 milhões de pessoas enfrentarão insegurança alimentar, elevando o número ⁠total de pessoas com fome para mais de 360 milhões. As interrupções na cadeia de oferta também continuarão, dada a dependência industrial de insumos como enxofre, hélio para a fabricação de chips e nafta para plásticos.

O FMI divulgará uma série de cenários em seu relatório Perspectiva Econômica Mundial na próxima semana, indo de uma normalização relativamente rápida a um cenário em que os preços do petróleo e do gás permanecerão muito mais altos por muito mais tempo, disse Georgieva.

Até mesmo o cenário mais promissor, segundo ela, envolveu redução da perspectiva de crescimento devido a danos à infraestrutura, interrupções no fornecimento, perdas de confiança e outros efeitos prejudiciais.

Em janeiro, o FMI projetou crescimento global de 3,3% em 2026 e 3,2% em 2027.

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