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Chefe do FMI afirma que Argentina tem posição fiscal e externa sólida

27 jul 2026 - 14h33
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A diretora-gerente do Fundo Monetário ‌Internacional, Kristalina Georgieva, chegou à Argentina nesta segunda-feira para apoiar as reformas ultraliberais do presidente Javier Milei, apesar da preocupação com uma situação difícil no pagamento da dívida que pode coincidir com sua tentativa de reeleição.

As exportações argentinas estão aumentando, as reservas internacionais estão se acumulando e a inflação — que chegou a disparar — ⁠está desacelerando.

"Sei que a transformação pela qual a Argentina está passando é difícil (...) Mas ‌a perseverança e contar com estabilidade macroeconômica e financeira trazem seus benefícios", afirmou Georgieva nesta segunda-feira em uma coletiva de imprensa em Buenos Aires.

Na semana ‌passada, a Moody's elevou o rating soberano do país, ‌após os aumentos anteriores da S&P Global e da Fitch, o ⁠que reforça o otimismo dos investidores em relação aos esforços de Milei para estabilizar uma economia historicamente marcada por ciclos de expansão e recessão.

No entanto, os investidores acompanham de perto o que está por vir.

Um relatório do FMI estimou a dívida em moeda estrangeira da Argentina para 2027 em US$32,3 bilhões, incluindo juros, ‌antes de o banco central adiar para 2028 o vencimento de US$6 bilhões em financiamento ‌por meio de operações de ⁠recompra neste mês.

Trata-se ⁠de um dos maiores vencimentos de dívida em um único ano para o país nos últimos ⁠tempos.

O governo anunciou que planeja cumprir ‌essas obrigações por meio de ‌uma combinação de financiamento multilateral, privatizações e emissão de dívida local, evitando, ao mesmo tempo, recorrer novamente aos mercados internacionais de capitais.

Na segunda-feira, Georgieva destacou que não está preocupada com a capacidade de pagamento da Argentina, que ⁠ela considerou estar em uma posição fiscal "forte".

De qualquer forma, o momento é delicado, já que os vencimentos dos pagamentos coincidirão com o período em que se espera que Milei busque um segundo mandato.

Qualquer percepção de que Milei possa ter dificuldades para conseguir a reeleição, ou de ‌que um sucessor possa mudar o rumo da política econômica, pode afetar a confiança e complicar o financiamento.

A viagem de Georgieva — sua primeira visita à Argentina ⁠como diretora-gerente do FMI — prevê reuniões com Milei e com o ministro da Economia, Luis Caputo, bem como uma visita à formação de xisto de Vaca Muerta, na Patagônia.

Sua visita de dois dias ocorre antes da terceira revisão do programa de 20 bilhões de dólares do FMI com a Argentina.

Desde que Milei assumiu o cargo no final de 2023, o FMI tem apoiado sistematicamente a disciplina fiscal do governo, as reformas legislativas e os esforços para reduzir a inflação mensal, que caiu de 25,5% em dezembro de 2023 para 1,9% em junho.

No entanto, o último relatório da equipe técnica do Fundo alertou sobre "riscos excepcionais", apontando que, embora a dívida da Argentina seja sustentável, não há grande probabilidade de que continue a sê-lo.

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