BTG Pactual avalia que resultado do BB no 1º tri pode surpreender negativamente
Analistas do BTG Pactual esperam um resultado fraco do Banco do Brasil para o primeiro trimestre do ano, avaliando que a magnitude da queda sequencial do lucro e no retorno sobre o patrimônio (ROE) em relação aos últimos quatro meses de 2025 pode surpreender negativamente.
Na visão de Eduardo Rosman e equipe, os resultados do banco deterioraram-se desde o começo do ano, quando a administração sinalizou que 2026 seria um período de transição, com o primeiro semestre ainda pressionado por provisões, mas com recuperação esperada no segundo semestre.
"O principal ponto de inflexão era esperado a partir dos pagamentos das últimas safras originadas sob critérios de concessão de crédito mais rigorosos, com abril e maio sendo vistos como meses cruciais", afirmaram em relatório enviado a clientes com data de terça-feira.
"No entanto, nossa impressão é de que o primeiro trimestre já ficou aquém das expectativas iniciais. Combinado com a contínua deterioração das condições no agronegócio — especialmente devido aos maiores custos de diesel e ao câmbio — vemos um risco crescente de que o segundo trimestre também decepcione."
Nesse contexto, eles também veem riscos crescentes de frustração em relação às expectativas atuais para o resultado no ano, para o qual o guidance do banco aponta um intervalo entre R$22 bilhões e R$26 bilhões. Para o primeiro trimestre, o BTG estima lucro líquido na faixa de R$3 bilhões a 3,5 bilhões, calculando uma margem financeira (NII) menor e provisões para perdas com crédito ainda elevadas.
No quarto trimestre do ano passado, o BB reportou um lucro de R$5,7 bilhões, acrescentaram, beneficiado por um efeito tributário positivo pontual e muito significativo, "de modo que uma comparação trimestral mais fraca não deve surpreender na ausência de melhorias operacionais claras".
"Ainda assim, embora um primeiro trimestre mais fraco não seja novidade, acreditamos que a magnitude da queda sequencial nos resultados e no ROE em relação ao quarto trimestre ainda pode surpreender negativamente."
De acordo com os analistas, a qualidade do crédito continua sendo a principal preocupação e deve seguir pressionando os resultados, especialmente no agronegócio, onde a inadimplência acima de 90 dias ainda está em deterioração. O crédito corporativo, avaliam, deve se estabilizar após casos específicos no quarto trimestre, enquanto o varejo deve refletir a habitual alta sazonal.
Rosman e equipe estimam que a formação de inadimplência deve cair de R$24,5 bilhões no quarto trimestre para cerca de R$20 bilhões, principalmente devido à normalização no segmento corporativo. No entanto, calculam, as provisões devem permanecer elevadas. "Esperamos um novo aumento trimestral.... (com o custo do crédito ficando) bem acima da média trimestral de aproximadamente R$14 bilhões implícita no guidance", afirmaram.
No quarto trimestre de 2025, as provisões somaram quase R$18 bilhões.
Os analistas destacaram que, anteriormente, esperavam alguma melhora no lucro antes dos impostos (EBT), mas agora enxergam uma maior probabilidade de uma queda de cerca de 20% na base trimestral. "A alíquota efetiva de impostos deve permanecer "positiva", em linha com o terceiro trimestre, embora menos favorável do que no quarto trimestre."
Para a equipe do BTG, o evento do banco com investidores e analistas na próxima semana (dia 23) deve ser um catalisador importante, especialmente em relação à trajetória da carteira de agronegócio, às tendências de provisões e ao timing de uma possível recuperação.
"O timing é crucial, à medida que nos aproximamos do fim de abril — um período crítico para avaliar os pagamentos antecipados da última safra", ressaltaram.
Eles afirmaram que preferem aguardar um guidance atualizado da administração antes de ajustar suas previsões para o BB. Mas reforçaram que, neste momento, veem riscos relevantes de queda nas suas projeções, nas estimativas no mercado e no guidance.
No relatório, eles também apontam que a ação negocia a cerca de 0,8 vez o valor patrimonial mais recente, com um ROE "que pode ter dificuldade de atingir 10% em 2026 e um dividend yield na faixa de um dígito médio — níveis que não parecem particularmente atrativos em relação aos padrões históricos".
Caso o mercado revise o lucro deste ano em cerca de 20%, para R$20 bilhões, avaliam, a ação passaria a negociar a aproximadamente 7,3 vezes o preço sobre lucro e com um dividend yield de cerca de 4% — "níveis que também não são particularmente atrativos pelos padrões históricos do BB".
Nesta quarta-feira, por volta de 14h30, as ações recuavam 3,7%, a R$24,44. No ano, ainda acumulam alta de 12,7%.
"Dessa forma, mantemos nossa recomendação neutra e uma postura cautelosa. Entre os grandes bancos brasileiros, o Itaú segue como nossa única recomendação de compra, enquanto, na margem, atualmente preferimos Bradesco em relação a BB."
O BB divulga seu balanço do primeiro trimestre no dia 13 de maio.
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