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Braskem vê alta de spreads com continuação de guerra no Oriente Médio

27 mar 2026 - 12h39
(atualizado às 15h31)
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A Braskem, que afirma ser a maior compradora individual de nafta do mundo, está vendo ‌possibilidade de ter ganhos operacionais nos próximos meses caso a guerra no Oriente Médio se prolongue e intensifique, afirmaram executivos da petroquímica nesta sexta-feira.

"Apesar de muita instabilidade em função da guerra no Oriente Médio, pode haver oportunidades de capturas de valor para algumas regiões, inclusive Américas, considerando o aumento de spreads no mercado internacional", afirmou a diretora de relações com investidores da Braskem, Rosana Avolio, em conferência com analistas após a publicação dos resultados da companhia.

"Consultorias externas indicam que existe expectativa de aumento de quase 50% nos spreads ao ⁠longo do primeiro trimestre", afirmou a executiva, referindo-se à diferença de preços entre a matéria-prima e o produto petroquímico, que antes da guerra ‌vinha sob um forte ciclo de baixa que prejudicava os resultados do setor.

Segundo o presidente-executivo da empresa, Roberto Ramos, enquanto rivais asiáticos da Braskem estão enfrentando dificuldades para obtenção de matéria-prima para suas operações, a petroquímica brasileira importa a maior parte de suas necessidades ‌de nafta dos Estados Unidos. Ramos afirmou ainda que a Braskem começou o ‌período da guerra com estoques de nafta maiores que os de concorrentes da Ásia.

"A questão de 'sourcing' não está sob risco por ⁠origem, mas está impactada pelo custo", afirmou o executivo, citando que os efeitos da guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã sobre a cadeia petroquímica global devem levar "alguns anos" para serem resolvidos diante de destruição de infraestruturas de produção e transporte no Oriente Médio.

Ramos reafirmou ainda que a Braskem está em processo de trocar a base de sua petroquímica de nafta para gás e etanol e com isso tem importado mais etano dos EUA para usar em instalações na Bahia como forma de contornar o aumento do ‌preço da nafta, que dobrou, desde o início da guerra. A empresa também está importando propano da Argentina para usar no Rio Grande ‌do Sul e está avaliando o uso de ⁠etano do país também para suas ⁠instalações no sul.

Às 15h12, as ações da Braskem lideravam as perdas do Ibovespa, desabando mais de 12%, enquanto o índice mostrava queda de 0,69%.

Analistas do ⁠Citi consideraram o resultado da companhia negativo diante de queima de caixa, alta ‌alavancagem e cenário desafiador da indústria petroquímica. ‌Mas citaram que, do lado positivo, a empresa "está aparentemente melhorando seus números em 2026" em meio à guerra no Oriente Médio e à ampliação de benefícios do regime especial de tributação para a indústria química nacional (Reiq), sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada.

Após o balanço e a teleconferência, analistas do BTG Pactual mantiveram visão cautelosa sobre a Braskem, ⁠diante da possibilidade da empresa reestruturar sua dívida por meio de conversão em ações e/ou aportes de capital, que podem "diluir os minoritários".

PRIORIDADE É ESTRUTURA DE CAPITAL

A companhia encerrou 2025 com uma dívida líquida ajustada de US$7,5 bilhões, uma alavancagem financeira de 14,74 vezes e um consumo de caixa de R$7,3 bilhões.

Isso, apesar de a companhia ter implementado "mais de 700 iniciativas" ao longo do ano passado que resultaram em US$500 milhões em lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ‌e US$600 milhões em geração de caixa, disse o diretor financeiro, Felipe Jens.

O executivo afirmou que a prioridade este ano para a Braskem é reorganizar sua estrutura de capital de modo a permitir "a continuidade do negócio".

Questionado sobre possibilidade da parceria mexicana Braskem Idesa ⁠pedir recuperação judicial, Jens afirmou que os assessores financeiros contratados no ano passado continuam em "pleno engajamento" para a reorganização da empresa e que "o caminho não está definido e não há nenhuma certeza de qual vai ser".

Já sobre os investimentos que a empresa tem que fazer se quiser manter o plano de mudança de base de matéria-prima, o diretor financeiro disse que os recursos "estão contemplados" para isso e que "não há discussão sobre a necessidade de fazê-lo".

Em outubro, o conselho de administração da Braskem aprovou investimento de R$4,2 bilhões para elevar a capacidade de central petroquímica no Rio de Janeiro, com estimativa de conclusão em 2028.

Ramos afirmou que o projeto vai dar mais competitividade à Braskem porque permitirá uso de etano em vez de nafta no Rio de Janeiro e a conversão das instalações na Bahia para uso de etanol.

Já sobre a aprovação na véspera do direito antidumping definitivo pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) contra importações de polietileno dos EUA e Canadá, o presidente da Braskem afirmou que a empresa vai recorrer pelo fato de o órgão ter reduzido os valores de sobretaxa na decisão.

"Vamos recorrer porque o caso era muito forte...É absolutamente lastimável que um trabalho de enorme conteúdo técnico e de ampla amostragem não foi considerado como deveria ter sido", disse o executivo.

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