Bradesco tem lucro líquido de R$7,1 bi no 3º tri, aprova recompra de ações
O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre, alta anual de 14,6%, impulsionado pelo controle de despesas e receitas não ligadas a crédito. A carteira de crédito atingiu R$ 1,15 trilhão, apesar da inadimplência subir para 4,6%, pressionada por micro e pequenas empresas. O banco aprovou novo programa de recompra de ações e R$ 4,1 bilhões em juros sobre capital próprio, mesmo diante de um cenário de crédito restrito e juros elevados no país.
O Bradesco teve lucro líquido recorrente de R$7,1 bilhões no terceiro trimestre, alta de 14,6% em relação ao mesmo período do ano passado, em linha com as previsões no mercado, com o presidente-executivo do banco, Marcelo Noronha, apontando um mercado de crédito mais restrito, com a taxa de juros em nível elevado e desaceleração da economia.
O banco também anunciou um novo programa de recompra de ações envolvendo 3,55% das ações ordinárias e aproximadamente 1% dos papéis preferenciais em circulação. O Bradesco também afirmou que aprovou R$4,1 bilhões em juros sobre capital próprio aos acionistas no terceiro trimestre.
"É cenário desafiador para todos", afirmou o executivo em comunicado à imprensa, após a divulgação do balanço nesta quinta-feira. "Vimos nossas receitas relacionadas a crédito crescerem menos, mas conseguimos compensá-las com receitas não oriundas de crédito e bom controle de despesas", acrescentou. Na comparação trimestral, o lucro do Bradesco subiu apenas 0,8%.
A carteira de crédito da instituição totalizou R$1,15 trilhão no final de setembro, aumento de 11,1% ano a ano, mas de apenas 1,1% em relação ao final de junho. O índice de inadimplência acima de 90 dias no terceiro trimestre ficou em 4,6%, de 4,1% um ano antes e 4,3% no segundo trimestre de 2026. O custo do crédito, representado pela despesa de provisões (PDD) expandida, cresceu 24,3% ano a ano e 6,6% na comparação trimestral, para R$10,6 bilhões.
O banco atribuiu a "leve alta" na inadimplência acima de 90 dias no trimestre ao segmento de micro, pequenas e médias empresas (MPME), particularmente nas operações de capital de giro com garantia do Governo Federal, afirmando que os atrasos desse produto corresponderam a cerca de metade da evolução da inadimplência total. Também destacou atrasos sazonais nas operações do Banco John Deere, que pressionaram os indicadores de pessoas físicas.
Na movimentação da carteira de crédito por estágios, o montante no estágio 1, considerado com risco saudável, de até 30 dias, somava R$730,8 bilhões, enquanto no estágio 2, que mostram aumento de risco, com atrasos entre 31 e 90 dias; totalizava R$46,7 bilhões e no estágio 3, que indica problemas de recuperação de crédito; alcançava R$62,5 bilhões.
No segundo trimestre do ano, esses valores eram R$727,3 bilhões, R$46 bilhões e R$60,2 bilhões, respectivamente.
CONTROLE DE DESPESAS
No terceiro trimestre, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em 15,6%, de 14,7% no mesmo intervalo do ano passado e 16,2% no segundo trimestre do ano. Desconsiderando o aumento de capital de R$10 bilhões homologado no começo de outubro, o ROAE foi de 16,1%.
O aumento de capital ajudou na melhora dos índices de capital do banco. O Bradesco encerrou o terceiro trimestre com índice de Basileia total de 16% e de capital principal de 12,1%. Um ano antes esses percentuais eram 15,9% e 11,4%, respectivamente. Em junho, eram 15,5% e 11,3%.
As receitas totais do banco somaram R$38 bilhões, alta de 8,4% ano a ano, com a margem financeira total somando quase R$21,4 bilhões, expansão de 14,2% na mesma base de comparação. A margem com clientes cresceu 10,1%, para 20,5 bilhões, enquanto a margem com mercado alcançou R$875 milhões, de R$99 milhões um ano antes. As despesas operacionais recuaram 1%. O índice de eficiência ficou em 45,4%, de 50,1% no mesmo período do ano passado.
Ao final de setembro, o banco tinha uma rede com 1.741 agências, além de 723 unidades de negócios e 1.428 postos de atendimento. Em junho, eram 1.844 agências, além de 698 unidades de negócios e 1.565 postos de atendimento.
O resultado do grupo segurador do Bradesco mostrou lucro líquido recorrente de R$2,9 bilhões, alta de 14,1% ano a ano, com ROAE de 22%.
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