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Bolsonaro volta a defender isenção de pedágio para moto

Medida, caso seja levada adiante, pode elevar tarifa de outros veículos

8 set 2020
10h53
atualizado às 11h28
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O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, 8, ter pedido ao ministro Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura, para analisar a isenção de pedágio para motociclistas nos novos contratos de concessão de rodovias. A medida, que deve encarecer a tarifa cobrada de carros e caminhões, foi defendida pelo presidente em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada.

Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto
02/09/2020 REUTERS/Adriano Machado
Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto 02/09/2020 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

"Nós somos 7,5 milhões de motoboys, menos de 1,5 milhão contribui porque ninguém sabe para onde vai nosso recurso", afirmou o apoiador ao presidente. "O que eu orientei o Tarcísio, nas novas concessões vê se é possível moto não pagar pedágio", respondeu Bolsonaro.

Em julho, Bolsonaro já havia anunciado a intenção de zerar pedágio para motocicletas também em conversa com apoiadores. Na ocasião, ele havia feito um passeio de moto após testar negativo para o novo coronavírus e pôr fim ao isolamento de 15 dias que cumpriu.

"Já falei com o Tarcísio para em novos contratos isentarem motociclistas", afirmou no dia 25 de julho.

Como o Broadcast/Estadão mostrou, contudo, para bancar essa isenção para os motociclistas, o pedágio subiria em média 5% para outros motoristas, de acordo com cálculos da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

Para a entidade, a mudança seria um "retrocesso". O diretor superintendente da ABCR, Flávio Freitas, lembrou que as primeiras concessões não previam o pagamento de pedágio por motos, mas que a regra mudou justamente para desonerar os demais motoristas.

Na ocasião, o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, disse, em nota, que a entidade não apoia nenhum tipo de gratuidade, justamente por acreditar que tal medida fará com que os outros usuários paguem mais caro pela tarifa. "Lutamos, sim, pelo fim dos privilégios, e não para ter mais um grupo de privilegiados", disse Costa. "Respeitamos a opinião do presidente Bolsonaro, mas pensamos diferente."

Renda Brasil

Nesta terça-feira, o apoiador que questionou Bolsonaro sobre a situação dos motociclistas ressaltou ainda que "muitos querem contribuir" e que "a solução do Renda Brasil está lá", em referência a uma possibilidade de financiamento do programa ainda em estudo que deve substituir o Bolsa Família. "Renda Brasil? Sabe quanto custa?", indagou o presidente. Bolsonaro, contudo, não comentou mais sobre o tema.

O programa, que ainda está sendo desenhado pelo governo, ainda não tem uma fonte de financiamento definida. O anúncio do benefício foi suspenso por Bolsonaro após discordar das alternativas apresentadas pela equipe econômica, entre elas o fim do programa de abono salarial.

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Estadão
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