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BIS diz que ímpeto da IA no mercado global apresenta sinais de vulnerabilidade

14 set 2026 - 09h58
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Resumo
O Banco de Compensações Internacionais alertou que o avanço da inteligência artificial nas bolsas globais mostra sinais de vulnerabilidade. O órgão aponta crescente cautela dos investidores sobre o retorno do setor, impulsionada pelo rápido aumento do endividamento, pela alta alavancagem das empresas de tecnologia e por acordos de financiamento opacos. Esse cenário soma-se a incertezas fiscais e geopolíticas, elevando os riscos à estabilidade financeira apesar da atual resiliência dos mercados.

A alta dos mercados de ações relacionada à ‌inteligência artificial (IA), que levou as bolsas mundiais a dispararem nos últimos dois anos, está apresentando sinais crescentes de vulnerabilidade, afirmou nesta segunda-feira o Banco de Compensações Internacionais (BIS), órgão que reúne os bancos centrais de todo o mundo.

As palavras “IA – Inteligência Artificial”, um teclado e uma mão robótica nesta ilustração tirada em 5 de junho de 2026. REUTERS/Dado Ruvic
As palavras “IA – Inteligência Artificial”, um teclado e uma mão robótica nesta ilustração tirada em 5 de junho de 2026. REUTERS/Dado Ruvic
Foto: Reuters

Em um novo relatório, o BIS afirmou que os investidores estão se tornando "cada vez mais cautelosos" quanto à rentabilidade de futuros investimentos em IA, especialmente à medida ⁠que a alavancagem das principais empresas de tecnologia dos EUA continua a aumentar.

"O ímpeto da IA, que ‌impulsionou os mercados acionários e contribuiu para a resiliência da economia global no último ano, começou a mostrar sinais crescentes de vulnerabilidade", disse aos repórteres Frank Smets, chefe de análise econômica ‌do BIS.

Os comentários foram feitos na sexta-feira, antes da publicação ‌do relatório do BIS na segunda-feira. As ações relacionadas à IA caíam acentuadamente nesta ⁠segunda-feira, depois que executivos de várias das principais empresas de IA alertaram ,no fim de semana que o ritmo de desenvolvimento da tecnologia precisa ser desacelerado para evitar ameaças à humanidade.

O relatório do BIS também apontou para um cenário global incerto de pressões sobre as finanças públicas, agravadas por tensões geopolíticas e pela volatilidade dos preços da energia.

As dívidas no valor de centenas de bilhões ‌de dólares emitidas pelas empresas de IA também podem estar contribuindo para o aumento dos custos de ‌financiamento no mercado de títulos públicos, ⁠além das preocupações de ⁠longa data sobre a sustentabilidade dos níveis de endividamento.

"Isso está relacionado à fragilidade fiscal que também acompanha a ⁠maior incerteza na economia mundial", disse Smets, referindo-se às ‌recentes pressões nos mercados de ‌títulos.

No entanto, ele acrescentou que não há "sinais de tensão" de maneira geral e que o apetite de risco dos investidores permaneceu "notavelmente resiliente" nos últimos meses.

COMUNICAÇÃO SOBRE A INFLAÇÃO

Conhecido como o "banco central dos bancos centrais do mundo", o BIS tem emitido alertas regulares tanto sobre os ⁠níveis globais de endividamento quanto sobre possíveis bolhas no mercado de ações nos últimos anos.

"Se essa resiliência (nos mercados) poderá ser sustentada, especialmente se as pressões de alta sobre os rendimentos continuarem, permanece, no entanto, incerto", disse Smets.

Ele também reiterou o alerta feito na semana passada pelo presidente do BIS, Pablo Hernandez de Cos, sobre os riscos ‌à estabilidade financeira representados pela IA.

"O que mais nos preocupa nessa área (da IA) é o rápido aumento da dívida e da alavancagem", disse Smets. "E o fato de que muitos desses acordos ⁠de financiamento são bastante opacos. Frequentemente, ficam fora do balanço patrimonial. Há uma espécie de circularidade neles."

O relatório também analisou em profundidade o financiamento do mercado privado que vem sendo direcionado para a IA nos últimos anos.

O endividamento agregado das empresas de tecnologia subiu de cerca de US$22 bilhões — ou 22% do crédito privado total — em 2010 para mais de US$1 trilhão — ou 44% — até 2025. No total, os empréstimos em aberto de qualquer tipo somam quase US$2,5 trilhões, acrescentou o relatório.

Outro de seus estudos utilizou IA para analisar milhares de discursos e relatórios de bancos centrais. Ele mostrou que os indicadores de "inflação subjacente" — que excluem os picos e quedas nos preços da energia — estão sendo citados com mais frequência e em maior variedade.

Embora a tendência reflita as mudanças nas condições econômicas, o relatório afirmou que "a crescente complexidade das mensagens dos bancos centrais pode representar desafios para uma comunicação eficaz com o público".

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