BCE eleva juros em meio a temores com a inflação por guerra no Irã
O Banco Central Europeu elevou sua taxa de juros para 2,50% para conter a inflação provocada pela alta do petróleo, impulsionada pelo conflito no Irã com os EUA. Como a zona do euro é dependente de combustíveis importados, a autoridade monetária prevê que a inflação seguirá acima da meta de 2% por um período prolongado, projetando 3,0% este ano e 2,5% no próximo. Enquanto analistas debatem se o ciclo de alta terminou, os mercados já precificam novos aumentos das taxas até o ano que vem.
O Banco Central Europeu elevou as taxas de juros na quinta-feira pela segunda vez neste ano, buscando conter um aumento da inflação impulsionado pelos preços da energia e desencadeado pela guerra no Irã.
Os ataques de ambos os lados desde o final de agosto romperam um mês de relativa calma, com os Estados Unidos e o Irã atingindo alvos militares, de transporte marítimo e do setor energético. Isso fez com que os preços do petróleo voltassem a ficar acima de US$100 o barril e reacendeu os temores quanto a uma onda de aumentos de preços na zona do euro, que importa combustíveis.
O BCE respondeu elevando sua taxa de depósito de 2,25% para 2,50%, afirmando que a inflação deve permanecer acima de sua meta de 2% por algum tempo.
"O conflito no Oriente Médio continua a gerar pressões inflacionárias, e a inflação deve permanecer bem acima da meta por um período prolongado", afirmou o BCE em comunicado.
EXPECTATIVAS
O banco central dos 21 países que compartilham o euro também elevou algumas de suas projeções de crescimento e inflação, refletindo a resiliência maior do que o esperado da economia e o efeito dos custos mais altos dos combustíveis sobre outros preços.
O BCE agora prevê uma inflação de 3,0% neste ano, 2,5% no próximo ano e 2,1% em 2028.
No entanto, é improvável que as previsões divulgadas nesta quinta-feira reflitam plenamente o mais recente aumento nos preços da energia, especialmente do gás natural, do qual muitos países europeus dependem para aquecimento.
"Isso é especialmente relevante porque, embora os choques nos preços do gás tendam a se refletir mais lentamente do que os choques nos preços do petróleo, eles também geram efeitos maiores e mais persistentes sobre a inflação excluindo energia", afirmou o Barclays em uma nota.
MERCADOS ESPERAM MAIS AUMENTOS
Os mercados financeiros estão precificando mais um aumento dos juros este ano, seguido por mais uma ou duas altas no ano que vem.
Os economistas, por outro lado, acreditam que a decisão desta quinta-feira pode ser a última do BCE por enquanto, embora um número crescente veja o risco de que seja necessário um aperto monetário adicional.
O BCE não deu nenhuma pista sobre medidas futuras, limitando-se a repetir sua linha padrão de que as decisões serão baseadas nos dados que forem surgindo.
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