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BC corta Selic a 13,75% e vê moderação da atividade, mas deixa próximos passos em aberto

16 set 2026 - 18h40
(atualizado às 19h19)
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Resumo
O Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, marcando o quinto corte consecutivo antes das eleições presidenciais. Apesar de constatar uma moderação gradual na atividade econômica, o Copom elevou suas projeções de inflação para 2026 e 2027 e manteve os próximos passos em aberto. Diante de incertezas fiscais e do cenário externo desafiador, a autoridade monetária pregou cautela e reforçou que decisões futuras dependerão da evolução dos dados.

O Banco Central cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual ‌nesta quarta-feira, a 13,75% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto ao afirmar, ao fim da última reunião de política monetária antes das eleições presidenciais, que o atual cenário de incerteza demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.

Em comunicado com poucas alterações de conteúdo em relação ao documento da reunião de agosto do colegiado, o BC apresentou visão mais firme de uma moderação da atividade, mas trouxe visão ligeiramente mais negativa para as projeções de inflação.

"Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, ⁠o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação ‌à meta", disse o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC em comunicado, reafirmando mensagem de dependência de dados passada também na reunião do colegiado em agosto.

O BC ainda voltou a dizer que seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição ‌adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.

O quinto corte consecutivo da taxa ‌Selic foi definido na última reunião do Copom antes das eleições de outubro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ⁠crítico do nível de juros no país, buscará a reeleição. O próximo encontro ocorrerá no início de novembro.

No comunicado, a autarquia apontou que a inflação cheia e as medidas de itens menos voláteis desaceleraram, ficando abaixo do teto da meta, que é de 4,5%, mas ainda acima do centro do alvo de 3%.

A inflação corrente tem mostrado arrefecimento no país, apresentando queda mais forte que o esperado, mas agentes de mercado seguem prevendo que o índice de preços permanecerá acima do centro da meta nos próximos anos.

Nesta quarta, o BC piorou ‌sua própria projeção de inflação para 2026 em relação a agosto, de 5,1% para 5,2%, bem acima do teto da meta, considerando o cenário ‌de referência, que segue projeções de mercado para ⁠os juros. Para 2027, a projeção ⁠subiu de 3,8% para 3,9%.

Em relação ao primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, a expectativa para a inflação acumulada em 12 ⁠meses ficou em 3,2%, mesmo nível estimado em agosto.

Para fazer as projeções do ‌cenário de referência, o Copom considerou uma taxa ‌de câmbio que parte de R$5,15, acima dos R$5,10 usados na última reunião.

A meta contínua de inflação é de 3% no acumulado em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos -- o que na prática implica uma inflação de até 4,5%.

Dados recentes também mostram uma desaceleração da economia, cenário esperado pelo BC, com os juros em ⁠nível restritivo atuando sobre a demanda.

MODERAÇÃO

No documento, a autarquia afirmou que observa uma moderação gradual da atividade, principalmente em setores mais cíclicos -- que são mais impactados pelas variações dos juros -- embora ainda em patamar resiliente, e com o mercado de trabalho aquecido. Em agosto, a autarquia havia afirmado apenas que indicadores "sugeriam" uma moderação na economia, além de ponderar que havia sinais mistos entre setores, o que foi eliminado no novo comunicado.

No comunicado, a autoridade monetária deixou inalterada a avaliação de que ‌o balanço de riscos para a inflação à frente apresenta uma assimetria, com mais chances de alta do que de baixa.

Esse foi o quinto corte seguido de 0,25 ponto percentual na taxa após o BC iniciar em março um ciclo de "calibragem" da Selic, ⁠que havia atingido na ocasião o maior nível em quase duas décadas. Com a nova redução, os juros básicos seguem no patamar mais baixo desde março do ano passado, apesar do nível historicamente elevado.

A decisão desta quarta-feira veio em linha com o esperado pelo mercado. Em pesquisa da Reuters, 48 de 51 economistas projetaram que o BC cortaria a Selic em 0,25 ponto neste mês, enquanto três esperavam manutenção.

No documento, o BC afirmou ainda que o cenário externo segue incerto em função da indefinição sobre o conflito no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em economias avançadas.

Mais cedo nesta quarta, o Federal Reserve elevou as taxas de juros dos Estados Unidos e sinalizou novos aumentos nos custos dos empréstimos nos próximos meses, com o novo presidente do banco central do país, Kevin Warsh, aderindo a uma decisão unânime que reconhece, na prática, a incapacidade do governo Donald Trump, até o momento, de controlar a inflação.

A decisão do Copom foi tomada de forma unânime pelo colegiado, em reunião realizada mais uma vez com desfalque, contando com apenas sete dos nove membros. Duas cadeiras do colegiado estão vagas desde o início do ano, após o término de mandatos de diretores, sem que o governo tenha indicado nomes para os cargos.

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