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Baixo investimento continua limitando avanço brasileiro

Valor aplicado em bens de produção somou 16,5% do PIB; outros emergentes investem pelo menos 18% do valor de sua produção, muitos aplicam cerca de 22% e alguns vão além desse nível

29 mai 2026 - 13h58
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O Brasil completou mais três meses crescendo como se fosse um país rico — apenas 1,1% sobre o trimestre anterior e 2% em quatro trimestres — e investindo como se já estivesse muito bem servido de máquinas, equipamentos, instalações produtivas e infraestrutura.

O valor aplicado nesses bens de produção ficou em R$ 535,2 bilhões, soma equivalente a 16,5% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo os novos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Outros emergentes investem pelo menos 18% do valor de sua produção, muitos aplicam cerca de 22% e alguns vão além desse nível. China e Índia batem nos 30%, mas já se pode discutir se a economia chinesa ainda é, de fato, emergente.

Importante medida de bem-estar, o consumo das famílias superou por 1% o padrão do trimestre final do ano passado e acumulou expansão de 1,2% em 12 meses. Mas o consumo do setor governo, correspondente a seus gastos de custeio, principalmente com pessoal, cresceu 2,3% em quatro trimestres. Não está claro se os serviços entregues à população tiveram crescimento parecido com esse nos níveis federal, estadual e municipal.

PIB do Brasil cresceu 1,1% em relação ao trimestre anterior, segundo o IBGE
PIB do Brasil cresceu 1,1% em relação ao trimestre anterior, segundo o IBGE
Foto: GWM/Divulgação / Estadão

Outras fontes, principalmente do setor privado, têm apontado mudanças no consumo das famílias, com acesso a uma variedade maior de bens industriais, mas com maior endividamento a juros muito altos e maior inadimplência. O governo tem oferecido algum auxílio a famílias endividadas, mas o crédito continua muito caro e isso poderá desembocar em novas complicações.

A crise do endividamento tem sido relacionada, nas discussões do dia a dia, à precária educação financeira da maior parte da população. Esses comentários podem ter fundamento, mas o estímulo ao consumo descuidado e ao uso do crédito foi sustentado, em grande parte, pela chefia do governo. Levantamento do Estadão detectou 13 pronunciamentos presidenciais com incentivos ao consumo para "fazer a roda da economia girar". Resultados bem visíveis foram o giro da roda do endividamento e o aumento da inadimplência.

O mercado de trabalho melhorou no começo do ano e o desemprego, no trimestre de fevereiro a abril, ficou em 5,8%, a menor taxa para esse período na série iniciada em 2012. O quadro poderá continuar positivo nos próximos meses, com a economia favorecida, em grande parte, pelo ambiente das eleições. Mas as projeções do mercado seguem apontando crescimento econômico próximo de 2% e inflação acima do teto oficial, 4,5%, e bem distante do centro da meta, 3%.

Se as expectativas de inflação se mantiverem, o Banco Central poderá ter dificuldade para continuar cortando a taxa básica de juros, fixada, neste momento, em 14,5%. Neste ano, os condutores da política monetária deverão continuar muito atentos, como sempre, à gestão das contas federais, mas também a um quadro internacional muito inseguro.

Estadão
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