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Reajuste da Petrobras tende a interromper acomodação da gasolina nos postos, avalia ValeCard

29 mai 2026 - 12h46
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O reajuste da gasolina da Petrobras efetivado nesta ‌sexta-feira para as distribuidoras "tende a interromper, ao menos parcialmente", um movimento de "acomodação" registrado nos preços nos postos brasileiros ao longo de maio, disse o diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, Marcelo Braga.

A Petrobras anunciou na véspera aumento a distribuidoras de R$0,48 por litro a partir desta sexta-feira, acrescentando que efetivamente o aumento seria de R$0,04, por conta ⁠de uma subvenção concedida pelo governo federal para aliviar impactos da alta do petróleo decorrente ‌da guerra no Irã.

A ValeCard divulgou nesta sexta-feira, com base em transações realizadas em todo Brasil por meio de seu sistema de meios de pagamento, que o preço da ‌gasolina recuou 0,77% em maio em relação a abril, ‌para R$6,857/litro, citando ainda que o etanol hidratado caiu 5,3% no mesmo período, ⁠para uma média no país de R$4,619/litro.

"Apesar de o mercado ter registrado queda em grande parte dos Estados no período, o aumento de R$0,48 por litro nas refinarias pode gerar novos repasses ao consumidor nas próximas semanas, especialmente em regiões que já operam com preços mais elevados", disse Braga.

Ele acrescentou ainda que o impacto final para o preço da ‌gasolina na bomba ainda dependerá da dinâmica de distribuição, da concorrência regional, das medidas de ‌compensação adotadas pelo governo federal ⁠e da dinâmica de ⁠preços do etanol.

Braga destacou ainda que etanol segue exercendo um "papel importante nesse cenário, já que a maior ⁠oferta da safra e a queda dos preços ‌nas usinas vêm aumentando a ‌competitividade do biocombustível frente à gasolina em diversas regiões do país".

O etanol hidratado é concorrente da gasolina, enquanto o etanol anidro -- também com queda dos preços pelo aumento da oferta -- é misturado a uma taxa de 30% na gasolina A (pura), o ⁠que também impacta no preço final do combustível nos postos.

Além do forte aumento da produção de etanol de cana, no início da safra do centro-sul, a fabricação do combustível a partir de milho também é crescente, levando o total a mais que dobrar na segunda quinzena de abril.

Contudo, Braga acrescentou que ‌o cenário, diante da guerra no Irã, ainda exige cautela.

As discussões envolvendo novos subsídios federais para gasolina e diesel ajudam a reduzir parte da pressão de alta no ⁠curto prazo, mas a volatilidade internacional do petróleo e as incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio seguem impactando a formação de preços no Brasil, acrescentou ele.

Embora a Petrobras tenha aderido ao programa de subsídios do governo e produza a maior parte dos combustíveis comercializados, o país também precisa de importadores para completar a oferta de derivados de petróleo, e havia incerteza se tais empresas participariam do programa de subvenção.

"Isso explica, por exemplo, o comportamento ainda bastante heterogêneo do diesel S-10 entre as regiões do país", disse Braga, citando o conflito no Irã.

Na média nacional, o preço do diesel S-10 caiu 0,41% em maio em relação a abril, para R$7,303/litro, segundo informações da ValeCard com base em transações entre 1º e 26 de maio em mais de 25 mil postos credenciados em todo o país.

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