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Autoridades do BCE adotam tom cauteloso em relação aos riscos de inflação, mas pedem vigilância

15 jul 2026 - 08h48
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Autoridades do Banco Central Europeu pediram ‌vigilância na definição das taxas de juros nesta quarta-feira, mas não chegaram a defender uma política monetária mais apertada, observando que os tão temidos efeitos de segunda ordem da inflação ainda não se concretizaram.

O BCE elevou as taxas em junho e ainda pode tomar ⁠essa medida novamente este ano, mas os sinais sugerem que um segundo ‌aumento não é urgente e pode não ocorrer em julho, mesmo com os preços do petróleo voltando a subir.

Falando no último ‌dia antes de o banco entrar em ‌período de silêncio pré-reunião de 23 de julho, o ⁠membro do conselho Piero Cipollone e o presidente do banco central austríaco, Martin Kocher afirmaram que ainda não havia sinais de efeitos de segunda ordem.

O BCE pouco pode fazer para impedir a alta dos preços do petróleo, mas a política de taxas de juros pode ‌retardar ou impedir que o choque inflacionário inicial se espalhe pela ‌economia em geral, elevando ⁠as expectativas de ⁠inflação e gerando demandas salariais excessivas.

"No momento, estamos prestando atenção especial aos efeitos ⁠indiretos sobre os preços decorrentes ‌da guerra no Oriente Médio ‌e aos possíveis efeitos de segunda ordem. Atualmente, não observamos efeitos de segunda ordem, mas também devemos alinhar nossa política monetária às expectativas de inflação", disse Kocher ao jornal financeiro alemão ⁠Börsen-Zeitung.

Cipollone, falando ao Ouest-France, fez um comentário semelhante, argumentando que o BCE não detectou um aumento perigoso nas expectativas de alta dos preços nem nas demandas salariais.

Os mercados já haviam tirado da precificação a possibilidade de um aumento ‌em julho quando os preços do petróleo caíram neste mês e ainda veem apenas uma chance em cinco de alta na ⁠próxima semana, mesmo depois que os preços do petróleo voltaram a ficar acima de US$85 o barril.

Ainda assim, os investidores esperam mais dois aumentos nas taxas até meados do próximo ano, com o aumento em setembro já considerado totalmente precificado.

"O recrudescimento do conflito militar no Oriente Médio e a nova alta nos preços do petróleo ressaltam que a situação continua extremamente volátil e que a incerteza é igualmente alta", afirmou o presidente do banco central da Alemanha, Joachim Nagel, em comunicado enviado por email.

"Continua sendo aconselhável reagir com cautela, mas agir com determinação se necessário", disse ele. "A política monetária manterá sua postura vigilante."

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