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Apostas em política, esporte, clima: o que é a Kalshi, empresa de brasileira que fez fortuna nos EUA

Luana Lopes Lara, de 29 anos, se tornou a bilionária 'self-made' mais jovem do mundo devido à sua empresa, a Kalshi, avaliada em US$ 11 bilhões

4 dez 2025 - 16h24
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A empresa de mercado de previsões Kalshi foi a responsável por tornar a brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, a bilionária "self-made" mais jovem do mundo, de acordo com a revista Forbes. O termo "self-made" é usado para descrever aqueles que constroem a própria fortuna.

A startup levantou US$ 1 bilhão em uma rodada de investimentos anunciada na terça-feira, 2, passando a ser avaliada em US$ 11 bilhões. Antes desse aporte, a Kalshi já havia levantado US$ 185 milhões em junho, sendo avaliada em US$ 2 bilhões, e US$ 300 milhões em outubro, quando a avaliação atingiu US$ 5 bilhões.

Com o crescimento da empresa, as fortunas de Luana e de seu sócio, Tarek Mansour, que detêm cerca de 12% da Kalshi cada um, estão estimadas em US$ 1,3 bilhão cada. Com esse patrimônio, Luana tornou-se a bilionária mais jovem do mundo a ter alcançado sucesso financeiro por conta própria, superando a fundadora da Scale AI, Lucy Guo, de 31 anos, que havia tirado o posto da cantora Taylor Swift, de 35 anos, em abril.

Tarek Mansour e Luana Lopes Lara, fundadores da Kalshi
Tarek Mansour e Luana Lopes Lara, fundadores da Kalshi
Foto: Reprodução/Instagram via @luana_lopes_lara / Estadão

O que é a Kalshi?

A Kalshi é uma empresa de mercado de previsões dedicada à negociação sobre o resultado de eventos futuros. Por meio da plataforma, é possível apostar em diferentes situações, que vão desde tópicos ligados diretamente à economia americana, como inflação e taxa de juros, até esportes e premiações de cultura pop, passando também por fenômenos climáticos.

É possível apostar, por exemplo, em qual foi a temperatura mais alta registrada em Nova York nesta quinta-feira ou em quem será o próximo a deixar o cargo no governo Trump. Atualmente, mais de 90% do volume da empresa vem de apostas esportivas, segundo a Forbes.

Os investidores compram posições de "sim" ou "não" em relação à ocorrência ou não de um evento. "A visão da Kalshi é permitir que as pessoas capitalizem em suas opiniões, negociem no âmbito do cotidiano e protejam-se dos riscos relacionados a elas", diz a empresa em seu site.

A plataforma tem parceiros variados, que vão da Liga Nacional de Hóquei (NHL) ao marketplace StockX. O filho mais velho de Trump, Donald Trump Jr., entrou no conselho consultivo da Kalshi em janeiro.

Site da Kalshi nesta quinta, 4; apostas englobam assuntos como possíveis falas de Trump em reunião, campeão de futebol americano, liberação de arquivos de Epstein, entre outros
Site da Kalshi nesta quinta, 4; apostas englobam assuntos como possíveis falas de Trump em reunião, campeão de futebol americano, liberação de arquivos de Epstein, entre outros
Foto: Reprodução/kalshi.com / Estadão

Como a Kalshi foi fundada?

A Kalshi foi fundada por Luana e Mansour em 2018. Os dois se conheceram enquanto estudavam no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), uma das principais faculdades de tecnologia e ciências do mundo. A amizade ficou mais forte quando eles estagiaram juntos na corretora Five Rings Capital, em Nova York.

Em entrevista à Forbes, Luana disse que a ideia de abrir um negócio no mercado de previsão surgiu durante o trajeto de volta do trabalho. "Percebemos que a maioria das negociações acontece quando as pessoas têm alguma visão sobre o futuro e tentam encontrar uma maneira de refletir isso nos mercados", afirmou.

Segundo a brasileira, o objetivo era permitir que investidores negociassem diretamente a probabilidade de eventos, como resultados de eleições ou fenômenos climáticos, em vez de negociá-los indiretamente por meio de mercados financeiros tradicionais.

Como a Kalshi cresceu?

Luana e Mansour inscreveram a Kalshi na aceleradora de startups Y Combinator e foram aceitos em 2019, mas enfrentaram um obstáculo: o mercado de previsões ainda não era regulamentado nos Estados Unidos. A dupla, então, entrou em contato com mais de 40 advogados para entender como conseguir a aprovação federal, mas nenhum deles quis ajudar devido à pouca idade dos fundadores e ao tamanho da empresa.

"Logo depois da faculdade, estávamos assumindo uma quantidade insana de riscos. Foram dois anos sem um único produto — nada lançado — e, se não conseguíssemos a regulamentação, a empresa simplesmente iria à falência", disse Luana à Forbes. Na época, eles ainda precisavam lidar com a pandemia e a distância, já que ela estava em Londres e Mansour em Beirute.

No final, os sócios conseguiram o apoio do advogado Jeff Bandman, que já havia trabalhado para a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), órgão independente do governo americano que regula o mercado de futuros.

Em novembro de 2020, a Kalshi recebeu autorização da CFTC para operar como Mercado de Contratos Designado (DCM), classificando seus mercados de previsão como um tipo de derivativo conhecido como contrato de eventos - instrumentos financeiros que permitem apostar no resultado de acontecimentos futuros.

No entanto, no fim de 2023, a CFTC rejeitou os contratos eleitorais da empresa por considerá-los semelhantes a jogos de azar. Luana recorreu à Justiça e, em setembro do ano passado, a Kalshi conseguiu autorização para oferecer os primeiros contratos eleitorais legais nos EUA em mais de um século. Os usuários da plataforma apostaram mais de US$ 500 milhões em candidatos nas eleições americanas do ano passado e previram corretamente a vitória de Donald Trump.

A Kalshi afirma que seu volume de negociações cresceu 1000% desde o ano passado e agora ultrapassa US$ 1 bilhão por semana.

Como foi o último aporte na Kalshi?

A rodada de investimentos anunciada nesta terça-feira foi liderada pela empresa de capital de risco Paradigm, especializada em criptomoedas, com participação de investidores como Sequoia Capital, Andreessen Horowitz e Y Combinator.

Segundo a empresa, o novo aporte será usado para expandir a integração com corretoras e firmar novas parcerias com veículos de comunicação.

Estadão
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