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Após fusão, Verene Energia avalia novas tecnologias na transmissão e mira aquisições

21 mai 2026 - 12h17
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A transmissora de energia elétrica Verene ‌vai estudar a integração de novas tecnologias em sua rede de transmissão no Brasil, como baterias, ao mesmo tempo em que perseguirá aquisições para continuar crescendo no setor, disseram os sócios La Caisse (Caisse de Dépôt et Placement du Québec) e Grupo Energía Bogotá (GEB) em entrevista à Reuters.

O fundo de pensão canadense e a companhia colombiana anunciaram na semana passada uma fusão ⁠de seus ativos de transmissão de energia no Brasil, criando uma plataforma com 26 concessões que ‌somam mais de 9 mil quilômetros de linhas e receita anual permitida proporcional (RAP) de R$2,84 bilhões.

O portfólio da Verene passou a ser quinto maior do segmento de transmissão no ‌país, após o acordo entre a canadense e a colombiana.

Segundo ‌Juan Ricardo Ortega, presidente da GEB, a empresa trabalha com "clusters" de ativos localizados ⁠em regiões que apresentam crescimento da geração e consumo de energia, o que abre espaço para projetos de aprimoramento da rede elétrica, como a instalação de baterias para armazenar energia e de compensadores síncronos para estabilizar o sistema.

"Existem regiões no Brasil que estão se desenvolvendo muito rapidamente, com enorme potencial, e temos ótimos ativos nessas áreas que permitem um desenvolvimento natural. Isso ‌cria oportunidades adicionais de crescimento orgânico e complementa nossa presença atual", apontou.

Segundo ele, projetos como os ‌de baterias poderão ser discutidos ⁠com os reguladores do ⁠setor elétrico.

"Certamente algumas dessas oportunidades surgirão, temos experiência e estamos preparados para fornecer esses recursos."

A integração de ⁠baterias na transmissão de energia tem sido estudada ‌por vários grupos que atuam no ‌segmento, entre eles ISA Energia e BTG, que já trabalham projetos do gênero junto à agência reguladora Aneel. Os compensadores síncronos, por sua vez, estão no centro da estratégia de empresas como Axia e Engie na transmissão de energia.

O executivo da GEB ⁠observou ainda que modernizações e melhorias da rede elétrica brasileira serão inevitáveis diante das transformações que o setor elétrico enfrenta, desde mudanças climáticas que afetam infraestruturas críticas até o forte aumento do consumo de energia devido à eletrificação da economia e ao avanço da inteligência artificial.

A Verene também continuará expandindo seu portfólio a ‌partir de aquisições, que foram a principal via de crescimento dos negócios de transmissão dos dois sócios no Brasil.

Eduardo Farhat, executivo-chefe do La Caisse na América Latina, ressaltou que o ⁠grupo tem sido "muito bem-sucedido com as compras de ativos brownfield de alta qualidade", e que naturalmente essa aposta será mantida.

"Sempre tem transações no mercado. Às vezes há mais ativos à venda do que capital disponível... Por isso, nos consideramos em uma posição privilegiada para continuar explorando oportunidades e também para fornecer liquidez a outros players que querem, por exemplo, reciclar capital e estão mais focados em projetos greenfield", disse.

Ele observou, porém, que a empresa não descarta participar no futuro dos leilões de projetos de transmissão realizados pelo governo, se aparecer "a oportunidade certa". Ainda segundo Farhat, por ora, a Verene manterá o foco na transmissão de energia, sem incursões para outros segmentos.

A criação da plataforma conjunta de La Caisse e GEB envolveu um aporte de R$2,87 bilhões, por parte da GEB, para equacionar as participações dos sócios em todos os ativos.

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