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Após 18 meses, economia de Trump é uma história de choques, resiliência e sinais de estagnação

27 jul 2026 - 12h11
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Os primeiros 18 meses do segundo mandato do presidente Donald Trump na Casa Branca foram marcados por uma série de ‌choques econômicos impulsionados por decisões políticas, com destaque para a repressão à imigração e o aumento das tarifas comerciais, além de uma guerra inesperada com o Irã que elevou o preço do petróleo e ameaçou as cadeias globais de abastecimento.

Embora a economia dos Estados Unidos, em geral, tenha resistido às mudanças e à guerra no Oriente Médio melhor do que muitos economistas esperavam, a promessa de Trump de reduzir os preços, aumentar os empregos na indústria e melhorar a vida da classe média ainda não se concretizou, faltando pouco mais de três meses para as eleições parlamentares de meio de mandato.

Resiliente, sim, mas a economia também estagnou em muitas das áreas em que Trump afirmou que as deportações em massa de imigrantes sem documentos e o aumento dos impostos sobre importações provocariam um boom, com a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã intensificando alguns riscos-chave.

EMPREGO

A medida mais ⁠abrangente do emprego provém da pesquisa domiciliar do Bureau de Estatísticas do Trabalho (BLS). Mudanças nas estatísticas populacionais no início de 2026 significam que os dados publicados pelo BLS não são estritamente comparáveis de um ano para outro, mostrando uma ‌queda acentuada no emprego e no número de pessoas em busca de trabalho em janeiro, em grande parte devido aos novos controles.

No entanto, a agência utiliza as novas estimativas populacionais para uma série experimental que analisa os últimos cinco anos, a fim de criar um conjunto de dados consistente a partir de abril de 2020.

Esses dados também mostram quedas tanto na força de trabalho quanto no número de pessoas empregadas desde o retorno de Trump à ‌Presidência, um desdobramento lógico, considerando os esforços para limitar a imigração e aumentar as deportações. Somado ao envelhecimento da população nativa, há ‌menos pessoas disponíveis para ocupar vagas de trabalho.

QUEM ESTÁ CONTRATANDO

Trump afirmou que suas políticas levariam a um renascimento da indústria manufatureira dos EUA, com a criação de empregos a seguir. Houve um boom de investimentos ⁠em centros de dados de inteligência artificial, cujo impacto na produção e nos empregos ainda está para ser visto.

O investimento em IA impulsionou o emprego no setor de construção. Mas os relatórios de folha de pagamento mostram menos empregos na indústria do que no final do governo do ex-presidente Joe Biden. Biden deixou a Presidência em janeiro de 2025.

Algumas das prioridades de Trump se refletem nos dados de emprego, como a queda no número de funcionários públicos.

Mas é difícil remodelar o que uma economia de 342 milhões de pessoas exige. É uma sociedade que gosta de restaurantes e bares. E é uma sociedade que está envelhecendo e precisa de mais serviços de saúde.

As mudanças na contratação refletem essa dinâmica.

PREÇOS

A inflação foi um dos principais temas da campanha de 2024, com a indignação diante do choque de preços causado pela pandemia da Covid-19 ainda recente, mesmo com o abrandamento das pressões sobre os ‌preços à medida que o Federal Reserve aumentava as taxas de juros.

Mas a promessa de Trump de reduzir os preços nunca foi realista. Historicamente, os preços nos EUA, em termos gerais, só caem durante períodos de grave crise econômica.

Reduzir a ‌inflação é possível, mas qualquer melhora sob o governo de Trump tem ⁠sido modesta. Os índices de preços mais acompanhados mostram que ⁠o progresso está estagnado, com a inflação ainda acima da meta de 2% do Fed, e os formuladores de políticas preocupados com os riscos de ela subir ainda mais.

As tarifas de importação contribuíram, em certa medida, para os aumentos de preços; ⁠a alta do petróleo para cerca de US$100 por barril -- cerca de 50% a mais do que o valor em que era negociado antes ‌do início da guerra no Oriente Médio, no final de fevereiro -- aumentou ‌a pressão; e agora as demandas decorrentes da expansão da inteligência artificial (IA) estão fazendo o mesmo.

Economistas esperam variações relativas nos preços. Em qualquer período, certos bens terão aumento de preço em relação a outros.

Mas quando os aumentos são grandes e abrangentes o suficiente, e diferentes itens se alternam no ciclo de aumento de preços, o resultado é uma inflação mais generalizada.

Algumas autoridades do Fed veem esse cenário como um risco iminente.

RENDA

Deixando de lado o debate sobre se uma distribuição de renda em forma de "K" -- na qual os ricos e aqueles com rendimentos mais altos prosperam, enquanto as famílias de renda baixa e média se ⁠saem menos bem -- é justa ou sustentável, os gastos do consumidor se mantiveram estáveis ao longo dos diversos choques da era Trump.

Mas não está claro por quanto tempo essa tendência poderá continuar, considerando que o indicador mais abrangente do poder de compra das famílias -- a renda pessoal disponível ajustada pela inflação -- estagnou e até mesmo diminuiu recentemente.

A renda pessoal disponível é o que sobra após o pagamento de impostos e abrange salários, bem como itens como pagamentos do programa de aposentadoria da Previdência Social -- na prática, o dinheiro que fica no bolso de uma pessoa para pagar moradia, alimentação e outros bens e serviços.

ACESSIBILIDADE

Trump passou de prometer tornar a vida mais acessível a descartar esse objetivo como sem importância, chamando a legislação recentemente aprovada pelo Congresso -- que visa melhorar a acessibilidade à moradia -- de "um grande ‌tédio" e se recusando a assiná-la.

A habitação é uma questão complexa. Os presidentes têm apresentado a aquisição da casa própria como um marco da riqueza e do sucesso individuais para os norte-americanos, mas os parlamentares restringiram os critérios de crédito quando os mercados ficaram superaquecidos e causaram uma crise financeira global.

Após anos de taxas de juros ultrabaixas, a pandemia deu ainda mais impulso ao mercado imobiliário dos EUA -- elevando os preços das ⁠casas -- e, em seguida, os aumentos nas taxas do Fed, destinados a conter a inflação, pioraram a acessibilidade ao empurrar as taxas de hipotecas para novos máximos.

As taxas de hipotecas permanecem elevadas, assim como os prêmios de seguro residencial, que estão vinculados aos valores mais altos dos imóveis e a outros custos relevantes.

O governo federal tem limitações quanto à oferta de moradias. A prorrogação de créditos fiscais ou políticas semelhantes pode ajudar, mas o setor permanece sob o controle dos governos locais e de seu emaranhado de regras de uso do solo e zoneamento.

O resultado final, no entanto, é que a aquisição da casa própria continua a consumir uma parcela desproporcional da renda familiar.

MERCADO DE AÇÕES

Trump há muito tempo está obcecado pelo desempenho do mercado de ações dos EUA, com o presidente apresentando as recentes máximas históricas dos principais índices como prova do sucesso de suas políticas.

O fato é que, no entanto, as ações tendem a subir com o tempo, independentemente de quem seja o presidente, e a maioria dos líderes norte-americanos modernos testemunhou preços recordes das ações durante seus mandatos.

O desempenho do mercado desde janeiro de 2025 situa-se bem no meio do pelotão quando comparado aos mandatos dos presidentes desde Ronald Reagan. O índice S&P 500 valorizou cerca de 25% durante o segundo mandato de Trump, contra um ganho mediano de aproximadamente 24% nos primeiros 18 meses dos mandatos presidenciais desde 1981. Esse desempenho ainda se compara favoravelmente à taxa de crescimento anual composta geral de 9,5% para as ações nesse período.

BOOM DOS TÍTULOS DE IA

O setor de IA tem sido um dos principais impulsionadores dos ganhos do mercado desde que Trump voltou à Casa Branca.

Mas a IA -- atualmente o maior impulsionador isolado do boom de investimentos empresariais que sustenta o crescimento do PIB -- está movimentando mais do que apenas o mercado de ações.

A emissão de títulos corporativos no acumulado do ano, de US$1,52 trilhão até o final de junho -- grande parte destinada a financiar a expansão da IA -- está em ritmo recorde, superando o boom pós-pandêmico de 2020.

A forte emissão, combinada com spreads estreitos e demanda robusta, aponta para uma economia resiliente e balanços patrimoniais corporativos sólidos.

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