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Analistas: vendas de açúcar do País a preço melhor firmarão NY

17 mar 2010 - 15h23
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A queda nos preços do açúcar bruto para uma mínima de oito meses não deve prosseguir, e o mundo poderá ver até uma reversão nessa tendência de baixa considerando que as usinas do Brasil já fixaram, a valores melhores, boa parte dos contratos de exportação deste ano, segundo analistas.

"Nós não estávamos imaginando que essa queda fosse acontecer agora (...) porque ainda vai haver a execução de muitos embarques de exportação precificados a preços muito bons", afirmou o presidente da Datagro, Plinio Nastari, em entrevista antes de um seminário em São Paulo nesta quarta-feira.

"Isso vai gerar muita renda e vai permitir a geração de capital de giro, evitando que o produtor tenha que pressionar o preço colocando o produto no mercado", disse ainda.

Segundo o presidente da consultoria, "é bem possível que a gente enxergue até uma reversão dessa queda, na hora que as pessoas se derem conta de que a pressão vendedora não vai ser tão grande quanto se imagina".

Com base na cotação atual na bolsa de Nova York, de cerca de 18 centavos de dólar por libra-peso, o açúcar acumula uma queda de preço de mais de 40% desde que atingiu uma máxima de 29 anos (30,40 centavos) em 1º de fevereiro deste ano. Nesta quarta-feira a commodity chegou à mínima de oito meses, cotada a 17,66 centavos de dólar por libra-peso.

Os investidores estão apostando que poderão ver preços baixos quando a colheita no centro-sul do Brasil, que produz cerca de 90% da cana do País, ganhar força.

Porém, outro analista do Brasil também pensa diferente.

"Do lado do açúcar, como a maior parte dos preços já está fixada, a receita deve ser muito boa", afirmou Luiz Carlos Corrêa Carvalho, da Canaplan, em linha com Nastari, ao responder a uma pergunta sobre um eventual impacto de preços nas exportações de açúcar deste ano do Brasil, o maior produtor e exportador mundial da commodity.

"Tem que imaginar que acima de US$ 0,25 são preços muito altos. Como o Brasil é base de custo de produção, que está ao redor de US$ 0,15, essa margem é boa. Achamos que deve ficar ao redor disso", completou o analista, também vice-presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag).

Fundamentos

Para Carvalho, "os fundamentos não estariam por trás dessa queda", mas sim os fundos, que entram e saem do mercado.

Sabe-se, disse ele, que a oferta de açúcar continuará apertada no Brasil, "porque a demanda é muito forte e a capacidade de moagem é limitada", em meio a investimentos mais baixos durante a crise em 2009.

"Tem matéria-prima, mas não tem capacidade de moagem industrial, o Brasil não será responsável por uma queda", afirmou Carvalho, observando que a produção da Índia, maior consumidor mundial de açúcar, deverá determinar um impacto maior ou menor nos preços.

"A tendência é que a Índia tenha uma produção maior, mas levemente maior, então a minha expectativa é de preços bons na safra", disse Carvalho.

Nastari disse ainda não acreditar em uma tendência baixista de preços mesmo considerando a previsão da Datagro de aumento de 4,1 milhões de t na produção de açúcar do centro-sul, para 32,6 milhões de t.

"A pressão vendedora não vai ser tão grande durante o pico da safra. Esses níveis de preços (atuais) poderiam ser considerados factíveis para o ano que vem, mas não agora, neste momento... só no ano que vem vamos enxergar a materialização de plantios de cana e beterraba em todo mundo como reflexo da alta de preços no segundo semestre de 2009", disse ainda.

O aumento de produção de açúcar, explicou ele, ocorrerá com uma maior utilização da capacidade instalada de produção, algo que não ocorreu na safra passada por causa das chuvas excessivas. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) deve divulgar sua primeira previsão da safra no final do mês.

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Fonte: Invertia Invertia
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